Moisés Mendes denuncia ameaça permanente do fascismo dez anos após golpe contra Dilma

Ilustração editorial sobre Moisés Mendes denuncia ameaça permanente do fascismo dez anos após golpe contra Dilma. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

Moisés Mendes afirma que o Brasil vive sob a sombra de um fascismo em mutação uma década depois do golpe institucional que destituiu a presidenta Dilma Rousseff.

O analista adverte que as forças envolvidas no impeachment de 2016 não foram derrotadas e apenas se reorganizaram em novas formas. Conforme expõe o artigo de Moisés Mendes no Diário do Centro do Mundo, o golpe produziu efeitos estruturais profundos.

Esses efeitos explicam a ascensão de Jair Bolsonaro, que o autor define como o produto mais bem acabado do golpe. O impeachment não se limitou a substituir uma presidente: ele alterou o regime e enfraqueceu instituições coletivas.

O processo empoderou personalismos, normalizou o ódio, reconfigurou o papel da mídia como agente político e legitimou práticas autoritárias. Mendes observa que, mesmo combalido politicamente, Bolsonaro segue como referência simbólica, moral e estratégica para a direita.

Essa permanência revela que o golpe deixou raízes que resistem à alternância de poder. A direita tem trocado de rostos e máscaras ao longo dos anos.

Figuras que se apresentam como centristas ou democratas civilizados convivem com nomes abertamente ligados ao bolsonarismo sem que isso represente moderação real. Políticos como Zema e Eduardo Leite exemplificam as chamadas caras pálidas que tentam reposicionar a direita.

Na prática, o modelo autoritário se integrou ao centro do espectro político e se tornou transversal. As estruturas montadas sobre mentiras, injustiças e narrativas de ódio permanecem intactas.

A mídia corporativa, o judiciário e as elites burocráticas continuam operando de formas que reproduzem os vícios identificados desde 2016. Mendes evoca o voto de Jair Bolsonaro na sessão do impeachment, em 17 de abril de 2016, quando o então deputado exaltou o torturador Brilhante Ustra.

Esse gesto marcou um ponto de inflexão cujo impacto ainda não terminou. Ele simboliza a celebração da violência de Estado e o culto ao passado repressivo.

O fascismo transforma agentes da ditadura em heróis e converte a repressão em virtude política. As forças conservadoras ajustaram seus métodos após os fracassos recentes, investindo na pós-verdade, no controle simbólico, nas fake news, na idolatria midiática e na polarização emocional.

Em vez de rupturas abertas, preferem corroer a democracia por dentro. O uso seletivo de instrumentos jurídicos e institucionais permite avançar pautas autoritárias sob a aparência de legalidade.

As redes sociais e os grupos fechados funcionam como laboratórios de radicalização. Neles, o ressentimento coletivo é mobilizado e transformado em combustível político permanente.

Mendes defende que não basta celebrar vitórias eleitorais como a de Lula em 2022. A construção de uma democracia material exige políticas que protejam direitos humanos, promovam transparência e mobilizem bases sociais amplas.

A tarefa central é desconstruir o aparato autoritário, rompendo laços ocultos entre poder econômico e mídia e desarticulando alianças reacionárias. O texto de Moisés Mendes funciona como convocação para vigilância diária e resistência organizada contra o fascismo em todas as suas versões.

Enquanto persistirem exaltações a figuras como Ustra, a defesa da democracia precisa ser igualmente permanente. Somente a ação cotidiana poderá superar as sombras deixadas pelo golpe de 2016 e reconstruir o país sobre bases sólidas.


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