O novo levantamento do Datafolha divulgado nesta semana confirma a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa presidencial de 2026, reforçando a estabilidade do campo progressista diante da tentativa de reorganização do bolsonarismo. Segundo o instituto, Lula aparece com 37% das intenções de voto no cenário estimulado de primeiro turno, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) registra 32%. A pesquisa ouviu 2.004 pessoas entre os dias 9 e 13 de abril e tem margem de erro de dois pontos percentuais. Os dados foram divulgados pelo portal G1.
O resultado reforça a polarização entre o lulismo e o bolsonarismo, mas revela também a resiliência da base social do presidente. Desde o início do ano, Lula oscila dentro da margem de erro, mantendo-se entre 36% e 39%, enquanto Flávio varia de 30% a 35%. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), aparece distante, com 6%, seguido por Romeu Zema (Novo), com 3%. Nenhum outro nome rompe a barreira dos 2%.
Os candidatos de partidos menores, como Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Cabo Daciolo (Mobiliza), Samara Martins (UP) e Aldo Rebelo (DC), juntos somam menos de 10%. O número de indecisos é de 5%, e 11% afirmam que votarão em branco, nulo ou não pretendem comparecer às urnas.
O reflexo de 2022
O desempenho de Lula no Datafolha reflete um padrão consolidado desde 2022: a força do petismo no Nordeste e entre os eleitores de menor renda. No primeiro turno daquele pleito, o presidente obteve maioria dos votos válidos em 17 estados e no Distrito Federal, confirmando a supremacia regional que agora se repete. No recorte atual, Lula tem 55% das intenções de voto no Nordeste, contra 24% de Flávio Bolsonaro. Já no Sul, o senador apresenta vantagem com 40% a 23%, mantendo o perfil regional herdado de seu pai.
Entre os eleitores com renda de até dois salários mínimos, Lula alcança 49%, enquanto Flávio soma 23%. O petista também lidera entre quem tem ensino fundamental (48%) e entre católicos (43%), segmentos que foram decisivos na vitória de 2022 e continuam sendo o núcleo duro de sustentação do governo. Essa base popular, historicamente fiel, é o principal ativo do projeto progressista rumo a 2026.
A matemática das alianças
O levantamento mostra que o PSD, com Caiado e Zema, ainda não conseguiu se firmar como alternativa nacional. Juntos, os dois somam 9%, o que evidencia a dispersão do centro político. O partido, que governa estados estratégicos como Minas Gerais e Paraná, tenta se posicionar como força de equilíbrio, mas enfrenta o desafio de romper a lógica da polarização. A depender da articulação entre Lula e Gilberto Kassab, o PSD pode ser atraído novamente para a base governista, repetindo o movimento de 2022, quando apoiou o petista no segundo turno.
Na prática, o cenário de 2026 tende a reproduzir o duelo entre o poder institucional do Planalto e a máquina digital bolsonarista. Lula conta com o peso da Presidência, o Fundo Eleitoral robusto e o apoio das federações PT-PCdoB-PV, além da capilaridade conquistada nas prefeituras em 2024. Já o PL aposta em redes sociais e no recall do sobrenome Bolsonaro, mas sem a estrutura territorial e orçamentária que garantem presença nacional.
Perfis e rejeição
O eleitorado de Lula é mais equilibrado por gênero: 39% entre mulheres e 37% entre homens. Flávio Bolsonaro, por sua vez, tem melhor desempenho entre homens (36%) do que entre mulheres (28%). Entre os jovens de 16 a 34 anos, há empate técnico, com 34% para Lula e 33% para o senador. Já entre os eleitores com 60 anos ou mais, o presidente abre vantagem expressiva, com 45% contra 28%.
Na rejeição, ambos aparecem em patamares altos, mas com estabilidade. Lula registra 55%, ligeiramente abaixo dos 56% de março, enquanto Flávio tem 52%, também em leve queda. Essa simetria indica fidelização das bases e sugere que o embate tende a permanecer entre os dois polos até o início oficial da campanha.
O termômetro da decisão
Segundo o Datafolha, 57% dos eleitores já se dizem decididos sobre o voto, enquanto 43% ainda podem mudar de opinião. Entre os que apoiam Lula, 65% afirmam que a escolha é definitiva. No caso de Flávio Bolsonaro, o índice é de 60%. Essa solidez do voto lulista é um diferencial relevante, sobretudo porque o campo progressista deve consolidar alianças regionais após o ciclo municipal de 2024, ampliando o alcance territorial do governo.
Entre os eleitores independentes, Lula aparece com 24%, contra 20% de Flávio, enquanto Caiado e Zema somam 14% juntos. Esse grupo, decisivo no segundo turno de 2022, mantém-se fragmentado e pode definir o desfecho da eleição caso a disputa siga equilibrada.
Por que isso importa
O Datafolha confirma que o presidente Lula mantém vantagem consistente e estabilidade numérica, mesmo após um ano de desafios econômicos e embates no Congresso. O campo progressista chega a 2026 com base sólida no Nordeste, capilaridade ampliada nas prefeituras conquistadas em 2024 e estrutura partidária robusta. Esse conjunto garante ao governo tempo de TV superior, presença territorial e musculatura política para sustentar a narrativa da continuidade.
O bolsonarismo, por outro lado, enfrenta o dilema de depender do carisma familiar sem o controle da máquina federal. Com seis meses até o início formal da campanha, a fotografia do Datafolha reforça que o Brasil segue dividido, mas com leve inclinação à continuidade do projeto progressista. Lula entra no jogo com a força de quem venceu em 2022 e consolidou poder local em 2024, sustentando a dianteira na corrida de 2026.
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