SUS expande uso de membrana amniótica e acelera cicatrização em pacientes com diabetes

Mãos enluvadas seguram um pedaço de tecido amniótico, utilizado em tratamentos no SUS. (Foto: metropoles.com)

O SUS expandiu o emprego da membrana amniótica no tratamento de feridas crônicas em pacientes com diabetes. A iniciativa do Ministério da Saúde busca reduzir amputações e preservar a visão de milhares de brasileiros por meio da medicina regenerativa.

O tecido é coletado durante o parto e apresenta fortes propriedades anti-inflamatórias e cicatrizantes. Ele favorece a regeneração dos tecidos ao criar um ambiente ideal para a recuperação.

Nos casos de pé diabético, a aplicação da membrana pode duplicar a velocidade de cicatrização em relação aos curativos convencionais. O SUS já utilizava essa tecnologia no tratamento de queimaduras extensas.

A ampliação da indicação deve permitir o atendimento de mais de 860 mil pessoas por ano. O material é particularmente útil em feridas de difícil resolução e lesões que não respondem a tratamentos tradicionais.

O transplante também se destina a lesões oculares moderadas e graves, como úlceras de córnea, queimaduras químicas e infecções persistentes. A oftalmologista Júnia Valle França destaca a importância adicional do procedimento para diabéticos.

Segundo a especialista, a membrana evita cicatrizes permanentes e preserva a visão dos pacientes. Seu efeito anti-inflamatório e antifibrótico promove a regeneração celular nas áreas afetadas.

Estudos indicam benefícios com a aplicação precoce do tecido amniótico mesmo nas fases iniciais da doença. A técnica potencializa colírios antibióticos e anti-inflamatórios e reduz a necessidade de transplantes de córnea.

O oftalmologista Tarciso Schirmbeck, do Visão Hospital de Olhos, aponta o uso complementar da membrana em cirurgias associadas ao glaucoma. O tecido ajuda a reparar a superfície ocular e melhora os resultados pós-operatórios.

Schirmbeck avalia que a oferta pelo SUS democratiza o acesso a esse tipo de terapia avançada. Antes, muitos pacientes dependiam exclusivamente de serviços especializados ou da rede privada para ter acesso ao procedimento.

A incorporação da tecnologia reforça a capacidade do sistema público no tratamento de complicações crônicas do diabetes. A medida representa avanço concreto na atenção à saúde da população.

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