O ministro André Mendonça prorrogou o inquérito que apura irregularidades na tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília.
Com a decisão do Supremo Tribunal Federal, a Polícia Federal tem agora um mês para concluir as investigações e entregar o relatório à Corte. A prorrogação levou em conta a complexidade do caso e o elevado volume de documentos já recolhidos pela Operação Compliance Zero.
As apurações resultaram na prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, suspeito de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Ele teria participado de esquema de propinas ligado à venda de carteiras de crédito sem lastro do Banco Master para o banco público do Distrito Federal.
A transação previa a aquisição de 58% do capital social por 12,2 bilhões de reais. O negócio recebeu aprovação do conselho de administração do BRB e passou por análise do Cade antes de ser vetado pelo Banco Central.
O veto abriu caminho para que a PF investigasse fraudes destinadas a inflar artificialmente a posição financeira do Banco Master. Durante as diligências, os investigadores identificaram seis imóveis avaliados em 146,5 milhões de reais que teriam servido para ocultar pagamentos de propina.
O advogado Daniel Monteiro e seu cunhado Hamilton Edward Suaki atuavam por meio de empresas imobiliárias para dissimular a titularidade real desses bens. A estrutura societária utilizada exigiu análise técnica aprofundada por parte dos investigadores.
Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, negocia acordo de delação premiada com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República. Sua eventual colaboração pode trazer novos elementos sobre a estrutura do esquema e justificar extensão adicional das apurações.
Em acareação recente, Vorcaro e Paulo Henrique Costa apresentaram versões contraditórias sobre a origem e a autenticidade das carteiras de crédito negociadas. A divergência exigiu novas análises técnicas e o exame aprofundado de provas documentais.
Conforme apurou o portal Metrópoles, o ministro André Mendonça destacou a necessidade de rigor e transparência no andamento do processo. O criminalista Alexandre Pinto Lourenço afirmou que o inquérito tende a se prolongar por meses, dada a quantidade de envolvidos e a complexidade financeira.
A investigação já se configura como uma das mais relevantes no setor bancário do Distrito Federal nos últimos anos. O Supremo Tribunal Federal acompanha cada etapa para garantir independência e respeito ao devido processo legal.
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