Coaf identifica movimentações atípicas em repasses de R$ 39 milhões do Exército ao Banco Master

Ilustração editorial sobre Coaf identifica movimentações atípicas em repasses de R$ 39 milhões do Exército ao Banco Master. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

O Exército Brasileiro repassou R$ 39 milhões ao Banco Master ao longo de pouco mais de um ano. Os valores correspondem a descontos realizados diretamente nos contracheques de militares da ativa e da reserva para pagamento de empréstimos consignados.

Os dados foram detalhados em Relatório de Inteligência Financeira elaborado pelo Coaf e enviado à CPI do Crime Organizado no Senado. O documento apontou duas possíveis irregularidades na forma como os recursos foram movimentados.

Os repasses ocorriam por débito imediato e com forte concentração em uma única conta. Essa estrutura poderia dificultar a identificação de outros beneficiários e gerou sinal de alerta no órgão de inteligência financeira.

O Banco Central decretou a liquidação do Banco Master em março de 2025. Poucos dias depois, o Exército rescindiu unilateralmente o contrato de credenciamento da instituição.

Em nota oficial, o Exército afirmou que não houve prejuízo aos cofres públicos. Os recursos transferidos são de rendimentos particulares dos militares e quitam dívidas de natureza privada.

A Força atua apenas como intermediária por meio do Centro de Pagamento do Exército. O órgão é responsável por efetuar os descontos autorizados nos contracheques e repassar os valores mensalmente à instituição consignatária.

O Banco Master havia sido credenciado após participar de edital público e comprovar os requisitos legais e financeiros. Daniel Vorcaro, controlador do banco, não respondeu aos questionamentos enviados pela reportagem.

Conforme o Diário do Centro do Mundo, o relatório do Coaf foi encaminhado ao Senado em março. A CPI do Crime Organizado encerrou os trabalhos sem aprovação de relatório final sobre o caso.

O volume das transações e a posterior liquidação da instituição financeira chamaram atenção das autoridades de controle. O Coaf reforçou o monitoramento de operações que envolvem recursos descontados de servidores públicos e repassados a bancos privados.


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