Pesquisadores de instituições dos Estados Unidos, Reino Unido e Canadá confirmaram um declínio constante na circulação meridional do Atlântico. O estudo, publicado na revista Science Advances e destacado pelo portal phys.org, analisou mais de vinte anos de medições diretas em quatro pontos do fundo do oceano e constatou redução uniforme no transporte de águas profundas.
O sistema conhecido como Circulação Meridional de Revolvimento do Atlântico (AMOC) redistribui calor, sal e nutrientes entre os trópicos e o Atlântico Norte. Essa dinâmica mantém o clima europeu mais ameno e influencia diretamente os padrões de temperatura e precipitação em todo o hemisfério norte.
Um enfraquecimento acentuado ou colapso total poderia provocar mudanças climáticas abruptas de grande impacto global. A equipe instalou matrizes de amarração ao longo da margem ocidental do Atlântico, desde a região próxima ao Caribe até as águas do leste do Canadá.
Os sensores submersos registraram variações de pressão e propriedades das massas de água abaixo de mil metros de profundidade. Os dados coletados entre as latitudes de 16,5°N e 42,5°N revelaram padrão consistente de enfraquecimento em toda a região.
Os autores descrevem redução meridionalmente coerente no transporte de águas profundas, o que indica tendência que se estende por todo o Atlântico ocidental. A margem oeste do oceano surge como o ponto mais sensível para detectar alterações na circulação.
Mudanças nas altas latitudes se manifestam primeiro nessa região, antes de se espalharem para o centro e o leste do Atlântico. O estudo, liderado por Qianjiang Xing, reforça a importância de ampliar a rede de observação oceânica de longo prazo.
A análise de séries históricas extensas permite distinguir tendências reais de flutuações sazonais, oferecendo base sólida para prever possíveis transições abruptas no sistema climático. Compreender a evolução da AMOC é essencial para aprimorar os modelos climáticos e orientar políticas de mitigação.
A circulação oceânica influencia o transporte de calor e carbono, afetando a estabilidade do clima e os ecossistemas marinhos. Um colapso parcial poderia alterar o regime de chuvas na Amazônia, intensificar invernos na Europa e modificar a trajetória de furacões no Atlântico.
O declínio observado serve como alerta para a comunidade científica e para os formuladores de políticas públicas, embora ainda não haja sinais de colapso iminente. A manutenção e expansão das redes de monitoramento são ferramentas fundamentais para antecipar mudanças e planejar respostas coordenadas.
O artigo completo, intitulado Meridionally consistent decline in the observed western boundary contribution to the Atlantic Meridional Overturning Circulation, reforça a necessidade de vigilância constante sobre a saúde dos oceanos e seu papel na regulação climática do planeta.
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