Menu

Imagens de satélite expõem expansão acelerada de bases militares israelenses em Gaza

11 Comentários🗣️🔥 Imagem de satélite mostra a expansão de instalações militares israelenses na Faixa de Gaza. (Foto: aljazeera.com) Novas imagens de satélite analisadas pela Unidade de Investigações Digitais da Al Jazeera mostram que Israel amplia rapidamente suas fortificações militares dentro da Faixa de Gaza. A atividade é especialmente intensa em Rafah e acontece enquanto os […]

11 comentários
Apoie o Cafezinho
Siga-nos no Siga-nos no Google News
Imagem de satélite mostra a expansão de instalações militares israelenses na Faixa de Gaza. (Foto: aljazeera.com)

Novas imagens de satélite analisadas pela Unidade de Investigações Digitais da Al Jazeera mostram que Israel amplia rapidamente suas fortificações militares dentro da Faixa de Gaza. A atividade é especialmente intensa em Rafah e acontece enquanto os planos de reconstrução patrocinados pelos Estados Unidos e Israel seguem paralisados, sem qualquer obra civil iniciada.

De acordo com o portal Al Jazeera, as imagens obtidas entre fevereiro e março pelos satélites Planet Labs e Sentinel Hub revelam a construção de bases permanentes, novas estradas e postos de observação em diferentes pontos do território. A remoção de escombros civis parou em locais como Beit Hanoon e Rafah enquanto as obras militares prosseguem em ritmo acelerado.

As imagens registradas em 10 de março mostram grandes áreas sendo niveladas e fortificadas na colina estratégica de al-Muntar, no bairro de Shujayea, em Gaza City. Novos postos de observação também aparecem em Khan Younis, no sul do enclave.

No centro de Gaza, fotos de 15 de março indicam a escavação de trincheiras e a formação de barreiras de terra que chegam até o campo de Maghazi, próximo a Deir el-Balah. Em Juhor ad-Dik, novas estradas conectam bases existentes a terrenos recém-desmatados, sinalizando a criação de postos fixos adicionais.

Esses achados confirmam uma tendência observada desde o final de 2025, quando o grupo Forensic Architecture identificou 48 instalações militares israelenses dentro de Gaza. Treze delas foram erguidas após o cessar-fogo de outubro e evoluíram para bases permanentes, com estradas pavimentadas e torres de vigilância.

Enquanto isso, o projeto de reconstrução de Rafah apresentado pelos EUA como símbolo de um suposto “renascimento” pós-guerra não saiu do papel. Em janeiro, durante o Fórum Econômico Mundial de Davos, Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump, exibiu imagens geradas por inteligência artificial de uma “Nova Rafah” repleta de arranha-céus e resorts de luxo.

Trump anunciou um plano de 20 pontos prometendo 10 bilhões de dólares em investimentos por meio de uma entidade chamada Board of Peace, concebida como alternativa à ONU. O Euro-Med Human Rights Monitor, sediado em Genebra, alertou que o plano representa uma tentativa de engenharia demográfica e deslocamento forçado da população palestina.

O projeto prevê dividir Gaza em blocos populacionais e zonas militares fechadas, com palestinos confinados em “cidades” de contêineres a uma densidade de 25 mil pessoas por quilômetro quadrado. O acesso a serviços básicos ficaria condicionado a triagens de segurança realizadas conjuntamente por Israel e pelos EUA, um modelo comparado a guetos modernos.

As imagens de satélite também mostram que a chamada “linha amarela” do cessar-fogo está sendo convertida em uma fronteira definitiva. Em Beit Lahiya, no norte, os satélites registraram a construção de uma barreira de terra paralela que avança mais de 580 metros para dentro do território palestino.

Em dezembro, o chefe do Estado-Maior israelense, Eyal Zamir, definiu essa linha como “nova fronteira”, enquanto o ministro da Defesa Israel Katz declarou que Israel “nunca deixará Gaza” e prometeu criar assentamentos militar-agrícolas. A investigação da Al Jazeera documentou ainda o deslocamento de marcos de concreto da fronteira, movidos centenas de metros para dentro de áreas palestinas.

Apesar do cessar-fogo, a violência prossegue de forma intensa na Faixa de Gaza. O Ministério da Saúde local relatou 750 mortes e mais de 2 mil feridos desde o início do acordo, elevando o total de mortos desde outubro de 2023 para mais de 72 mil.

Um estudo publicado na revista The Lancet estimou que o número real pode ultrapassar 75 mil vítimas de violência direta. Levantamento da Al Jazeera indica que Israel realizou ataques em 160 dos 182 dias do cessar-fogo, geralmente em incursões para demolir áreas habitadas.

A Planet Labs suspendeu indefinidamente a divulgação de imagens de zonas de conflito a pedido do governo dos EUA, limitando o monitoramento independente. Organizações humanitárias como Oxfam e Save the Children classificaram o plano de reconstrução de Trump como um completo fracasso, que não produziu qualquer melhora nas condições de vida da população palestina.

A combinação entre a militarização acelerada do território e o bloqueio à transparência reforça o cenário de ocupação permanente e estagnação humanitária na Faixa de Gaza.

Com informações de ALJAZEERA.


📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho

Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.




,
Apoie o Cafezinho
Siga-nos no Siga-nos no Google News

Comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site O CAFEZINHO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Escrever comentário

Escreva seu comentário

Pedro

19/04/2026

Enquanto isso o povo comum continua pagando o preço, igual a gente aqui rodando com gasolina nas alturas. Lá é bomba, aqui é IPVA e posto caro. No fim, quem tá embaixo é que sempre leva pancada.

Renato Professor

19/04/2026

Enquanto a extrema-direita grita “autodefesa”, as imagens de satélite mostram o que de fato está acontecendo: ocupação e militarização em ritmo industrial. Isso não é segurança, é apropriação territorial com verniz bélico. A economia solidária ensina que segurança real se constrói com cooperação, não com tanques.

Jeferson da Silva

19/04/2026

Enquanto o povo palestino passa fome e vive sob escombros, Israel segue ampliando bases como se fosse dono da terra. É a lógica da força bruta, do lucro e da guerra permanente. O mundo assiste calado, mas a história vai cobrar caro por essa cumplicidade covarde.

Alice T.

19/04/2026

Enquanto isso, os mesmos bilionários que fingem chorar pela “liberdade” seguem investindo pesado em empresas que lucram com guerra. É fácil bancar o defensor da democracia quando o lucro vem do bombardeio alheio, né? Dados de satélite não mentem, mas o cinismo liberal é infinito.

Fernando O.

19/04/2026

É impressionante como os números e as imagens desmontam qualquer narrativa de “retirada” ou “operação limitada”. A expansão das bases mostra planejamento de longo prazo, não improviso. Difícil sustentar que isso seja apenas resposta imediata a ameaças.

Karina Libertária

19/04/2026

Ai, lá vem a mídia querendo pintar Israel como o vilão de sempre. Gente, guerra é guerra, cada um protege o seu territory, ok? Se o Hamas parasse de atacar, nada disso seria necessário. Mas claro, o pessoal que vive de bolsa e não entende de investimento internacional acha que tudo se resolve com “paz e amor”.

    Clarice Historiadora

    19/04/2026

    Karina, essa narrativa de “guerra é guerra” é velha desculpa pra justificar massacre. Proteção legítima não inclui expulsar civis e expandir assentamentos — isso tem nome, e não é defesa, é colonialismo travestido de segurança.

Rubens O Pescador

19/04/2026

Enquanto isso o povo palestino segue soterrado, sem casa e sem futuro, e o mundo finge que não vê. Lembro quando o Lula falava em paz e comida no prato, e não em bomba e muro. Hoje sobra discurso bonito e falta humanidade.

Carlos A. Mendes

19/04/2026

É assustador ver como a coisa vai se consolidando, mesmo depois de tanta destruição. Israel fala em segurança, mas parece que o objetivo é ocupar de vez. No fim, quem paga o preço são sempre os civis. Difícil acreditar que isso leve a alguma paz.

Celio Fazendeiro

19/04/2026

E ainda tem gente que se espanta com isso. Guerra é guerra, e quem tem que garantir sua segurança faz o que precisa ser feito. Enquanto o resto do mundo perde tempo chorando por “imagens de satélite”, Israel trabalha.

    Mariana Ambiental

    19/04/2026

    Célio, chamar de “trabalho” a militarização de um território devastado é ignorar o básico: segurança não se constrói soterrando civis e plantando mais bases em ruínas.


Leia mais

Recentes

Recentes