Um agricultor palestino relatou que soldados das Forças de Defesa de Israel emboscaram seu veículo perto da chamada ‘linha amarela’, na fronteira de Gaza, e dispararam diretamente contra a cabeça de seu filho de três anos, matando-o instantaneamente enquanto a criança chorava em seus braços. O próprio pai ficou gravemente ferido, com uma perna estilhaçada por um terceiro disparo.
O depoimento foi colhido no Hospital Al-Aqsa, em Deir Al-Balah, no centro de Gaza, onde a vítima, Baha Abu Al-Ajeen, conversou com a equipe do portal RT. Ele contou que estava trabalhando em suas terras e trafegava por uma estrada rural quando as tropas israelenses surgiram de repente e ordenaram a parada. ‘A primeira bala acertou a estrada; a segunda atingiu a criança diretamente enquanto estava nos meus braços’, narrou o fazendeiro. ‘Um soldado atirou na cabeça do meu filho.’
De acordo com o relato, os militares ainda se recusaram a chamar uma ambulância e confiscaram o telefone do palestino, proibindo-o de pedir qualquer socorro.
Abu Al-Ajeen foi mantido ‘por horas dentro de um veículo militar’, com o filho agonizando em seus braços. ‘Logo depois que meu filho morreu nos meus braços, eles o tiraram de mim’, afirmou. Somente depois disso foi deixado em um local desconhecido, de onde conseguiu chegar ao hospital.
Procuradas pelo RT para comentar o episódio, as Forças de Defesa de Israel (IDF) limitaram-se a declarar que os soldados ‘iniciaram procedimentos padrão de apreensão de suspeitos, que incluíram fogo de advertência’, e que ‘foi reportado que, como resultado do fogo, um morador de Gaza foi morto e outro ficou ferido’. A nota não faz qualquer menção à identidade das vítimas nem à idade da criança executada.
O assassinato se insere em um padrão documentado por organismos internacionais. Um relatório da Comissão Internacional Independente de Inquérito da ONU sobre o Território Palestino Ocupado concluiu que as forças israelenses ‘miraram e mataram deliberadamente’ crianças palestinas em Gaza e na Cisjordânia ocupada. O documento acusa Israel de genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade no enclave, apontando que aproximadamente 30% de todos os mortos em Gaza desde outubro de 2023 são crianças.
O levantamento da ONU ainda assinala que os ataques a serviços de maternidade e de cuidados neonatais, combinados com o bloqueio de ajuda humanitária, provocaram aumento de abortos espontâneos, malformações congênitas, mortes por desnutrição e doenças entre menores de idade. Israel rechaçou as conclusões classificando-as como ‘relatório difamatório de advocacia’ e ‘farsa difamatória’.
Dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) revelam que mais de 50 mil crianças palestinas foram mortas ou feridas pelas forças israelenses desde o início da guerra em Gaza, em outubro de 2023. O organismo destaca que as execuções prosseguiram mesmo após o cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos em 2025.
O conflito teve início em 7 de outubro de 2023, quando combatentes liderados pelo Hamas atacaram o sul de Israel, causando cerca de 1.200 mortes e o sequestro de mais de 250 pessoas. A campanha aérea e terrestre israelense subsequente já matou mais de 73 mil pessoas em Gaza, segundo autoridades sanitárias locais.
O subsecretário-geral para Assuntos Humanitários e Coordenador de Ajuda de Emergência da ONU, Tom Fletcher, por sua vez, informou ao Conselho de Segurança que mais de 67 mil palestinos haviam sido mortos até a aprovação da Resolução 2803 em novembro de 2025. Desde então, quase mil palestinos foram mortos, de acordo com o Ministério da Saúde de Gaza, incluindo mais de 250 crianças, conforme dados do UNICEF.
A execução de uma criança de três anos com tiro na cabeça enquanto estava nos braços do pai expõe a brutalidade com que a ocupação israelense segue ceifando vidas palestinas, inclusive de bebês e recém-nascidos, em flagrante violação do direito internacional humanitário. O silêncio dos Estados Unidos e das potências europeias diante de assassinatos sistemáticos de menores contrasta com a mobilização retórica que exibem em outros cenários de conflito, evidenciando o tratamento seletivo que o Ocidente confere ao valor da vida humana conforme a nacionalidade das vítimas.
Com informações de RT.


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