Nova rodada nacional da Indexa Pesquisas reforça um movimento que vem aparecendo de forma cada vez mais consistente nos levantamentos eleitorais: o presidente Lula segue ampliando, de maneira gradual, sua vantagem na corrida de 2026.
No cenário estimulado de primeiro turno, Lula aparece com 42% das intenções de voto, contra 31% de Flávio Bolsonaro. Em maio, o placar era de 39% a 30%.
A vantagem, portanto, passou de 9 para 11 pontos percentuais. É um crescimento modesto, mas politicamente relevante porque ocorre junto com a queda dos indecisos, que recuaram de 10% para 6%.
Ronaldo Caiado aparece com 5%, seguido por Romeu Zema e Renan Santos, ambos com 3%. Joaquim Barbosa e Augusto Cury têm 1% cada, enquanto Samara Martins e Cabo Daciolo não pontuam.
No segundo turno contra Flávio Bolsonaro, Lula também melhora sua posição. O petista vai de 46% para 47%, enquanto Flávio recua de 41% para 40%.
Com isso, a vantagem de Lula no confronto direto sobe de 5 para 7 pontos. Nulos e brancos ficam em 9%, e os indecisos permanecem em 4%.
Um dos dados mais importantes da pesquisa está no grau de decisão do eleitorado. Entre os eleitores de Lula, 81% dizem que o voto já está decidido, contra 74% entre os eleitores de Flávio Bolsonaro.
Ou seja, além de liderar, Lula tem hoje um eleitorado mais firme. Apenas 19% dos seus eleitores admitem que podem mudar de voto, enquanto esse percentual sobe para 26% entre os apoiadores de Flávio.
A fidelidade em relação a 2022 também favorece o presidente. No primeiro turno, 84% dos que votaram em Lula dizem que votariam nele novamente, enquanto 69% dos que votaram em Jair Bolsonaro declaram voto em Flávio.
No segundo turno, Lula retém 93% de seus eleitores de 2022. Flávio Bolsonaro retém 85% dos eleitores de Jair Bolsonaro.
Regionalmente, Lula mantém uma vantagem expressiva no Nordeste, onde marca 52% no primeiro turno, contra 26% de Flávio. No Norte, Lula também lidera com 45%, contra 30%.
No Sudeste, maior colégio eleitoral do país, o dado é politicamente relevante: Lula tem 38% no primeiro turno, seis pontos à frente de Flávio, que aparece com 32%. No segundo turno, Flávio marca 44% e Lula 42%, diferença dentro da margem de erro.
Isso mostra que a direita ainda encontra força no Sudeste, mas não consegue abrir ali uma vantagem confortável. Para Lula, sustentar competitividade na região é decisivo.
No Sul, Lula e Flávio aparecem praticamente empatados no primeiro turno, com 37% a 36%. No Centro-Oeste, o placar é de 35% para Lula e 34% para Flávio.
A pesquisa também mostra Lula à frente entre as mulheres, com 45% contra 28% de Flávio. Entre os homens, a disputa é mais apertada: 38% a 34% para Lula.
Por faixa etária, Lula lidera em todos os grupos. Entre os jovens de 16 a 24 anos, tem 42%, contra 27% de Flávio.
No eleitorado com ensino superior, Lula registra 45%, contra 30% de Flávio. Entre os eleitores com renda de até dois salários mínimos, o presidente tem 43%, contra 28%.
O recorte religioso confirma uma das principais dificuldades do campo progressista: entre evangélicos, Flávio lidera por 44% a 28%. Mas Lula vence entre católicos, sem religião e outros grupos religiosos.
Outro ponto importante é o desempenho de Lula no eleitorado de centro. No primeiro turno, ele tem 35% nesse segmento, contra 16% de Flávio; no segundo turno, vence por 47% a 32%.
Esse dado indica que a polarização segue forte, mas Lula conserva maior capacidade de atração fora de sua base ideológica imediata. A terceira via, por enquanto, continua fragmentada e sem força nacional.
A Indexa ouviu 2.000 eleitores entre 18 e 20 de junho. A pesquisa foi registrada no TSE sob o número BR-08944/2026, tem margem de erro de cerca de 2,2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
O levantamento custou R$ 164 mil e foi realizado com recursos próprios do Instituto Indexa Pesquisas. Não chega ao patamar de pesquisas nacionais mais caras, como as do Datafolha, que superam R$ 300 mil, mas está longe de ser um levantamento barato ou improvisado.
O conjunto dos dados aponta para uma tendência clara: Lula não cresce de forma explosiva, mas consolida uma vantagem lenta, firme e cada vez mais difícil de ignorar.
Para baixar a íntegra da pesquisa Indexa, clique aqui.



Ana Souza
23/06/2026
A diferença de 11 pontos é significativa, mas precisamos ver a metodologia completa e a margem de erro para avaliar o real tamanho dessa vantagem. O movimento gradual que a pesquisa aponta sugere uma tendência consistente, mas 2026 ainda está distante e muita coisa pode mudar até lá. Seria interessante comparar os números com outros institutos para evitar viés de uma única amostragem.
Carlos Mendes
23/06/2026
Pesquisa encomendada é isso aí, só reflete o viés de quem paga a conta. Enquanto Lula surfar na máquina pública e no auxílio emergencial disfarçado de programa social, o Flávio vai ter que nadar contra a corrente com um partido desgastado e sem bandeira econômica clara. O brasileiro ainda não aprendeu que o Estado grande só produz inflação e corrupção.
Marcus Almeida
23/06/2026
Carlos, primeiro, devemos lembrar que a Bíblia nos ensina em Provérbios 29:2 que quando o justo governa, o povo se alegra. Programas sociais não são esmola, são cumprimento do mandamento de cuidar do órfão e da viúva (Tiago 1:27). O que você chama de “Estado grande” é o mínimo para proteger os mais pobres da ganância do mercado selvagem que a esquerda e a direita liberal tanto defendem.
Ana Karine Xavante
23/06/2026
Marcus, suas referências a Provérbios e Tiago são um sopro de lucidez num debate que frequentemente reduz a fé a um amuleto eleitoral. É bonito e raro ver um cristão que realmente entende o que significa a justiça social na prática, sem distorcer a mensagem para justificar Estado mínimo e agenda de extermínio dos pobres. Mas, enquanto mulher indígena do Mato Grosso, eu preciso te provocar um pouco: qual justo é esse que governa e alegra o povo, quando o povo em questão — os povos originários, as comunidades quilombolas, os ribeirinhos — continua sendo varrido do mapa por garimpo ilegal, grilagem e desmatamento, inclusive durante governos que se dizem aliados? Programas sociais são fundamentais, sim, e concordo que não são esmola. Mas eles operam dentro de uma estrutura que ainda é colonial, extrativista e branca, e que transforma a Amazônia num balcão de negócios enquanto maquia a pobreza com Bolsa Família sem enfrentar o latifúndio.
O que você chama de “mercado selvagem” não é uma abstração distante da sua fé, Marcus. Ele tem nome, sobrenome e endereço: são as madeireiras que expulsam meu povo do território, as mineradoras que envenenam os rios e os políticos que votam contra o marco temporal enquanto fazem selfie com camisa verde-amarela. A esquerda liberal que você critica, e com razão, também falha em reconhecer que não há cuidado com o órfão e a viúva se não houver demarcação de terras. Sem terra, não há comida, não há cultura, não há futuro. O governo Lula fez avanços históricos, mas a bancada ruralista engoliu o Congresso, e os programas sociais convivem com o maior desmonte ambiental dos últimos anos — um desmonte que o governo anterior acelerou, é verdade, mas que ainda não foi revertido.
Se você quer puxar a Bíblia pra mesa, eu puxo também: Miquéias 6:8 diz que o que o Senhor pede é que pratiques a justiça, ames a misericórdia e andes humildemente com o teu Deus. Justiça bíblica não é só cesta básica, é reparação, é devolução do que foi roubado. Nossos territórios foram roubados. Nossas crianças foram roubadas para o trabalho escravo. Nossas línguas foram sufocadas. Programas sociais dentro desse sistema são band-aid num ferimento aberto desde 1500. O “Estado grande” que você defende precisaria ser também um Estado indígena, negro, popular, que descolonize a própria estrutura. Enquanto a esquerda não entender que proteção social sem reforma agrária e sem respeito à cosmologia dos povos é só gestão da miséria, a direita vai continuar ganhando — porque ela promete ordem, e a esquerda entrega caos administrativo com um sorriso de bondade. Quero ver se sua fé resiste a uma pergunta incômoda: você aceitaria que a solução pra fome passasse pela demarcação de uma terra indígena no seu estado? Se aceitar, temos diálogo. Se não, o “justo” que governa ainda é o homem branco que decide o que é justiça pra nós.
Cecília Torres
23/06/2026
A vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro é consistente, mas qualquer análise séria exige a divulgação da margem de erro e do recorte regional da Indexa. Fora isso, seguir tratando Flávio como o nome consolidado da oposição em 2026 é um salto interpretativo que os dados, por si só, não autorizam.
Luciana Costa
23/06/2026
Cecília, concordo plenamente que margem de erro e recorte regional são indispensáveis para uma análise séria — e é justamente por isso que a vantagem de Lula, mesmo com esses filtros, continua consistente; mas você tem razão em questionar se Flávio é o nome definitivo da oposição, pois o cenário ainda pode se reconfigurar.
Zé do Povo
23/06/2026
PESQUISA FRAUDULENTA DE COMUNISTA 😡 LULA NUNCA TEVE VANTAGEM NENHUMA SEU TROUXA! 🔥🇧🇷
Carlos Henrique Silva
23/06/2026
Zé do Povo, seu comentário reflete exatamente o que Gramsci chamava de “senso comum” acrítico — uma reação visceral sem mediação intelectual, que serve aos interesses das classes dominantes. Você chama a pesquisa de fraudulenta porque o resultado não agrada seu viés político, mas qual é o seu critério objetivo para afirmar isso? A Indexa é um instituto sério, com metodologia transparente, e os números mostram Lula consolidando vantagem não por acaso, mas porque seu governo entrega políticas concretas de redução da desigualdade, como o Bolsa Família reajustado e o aumento real do salário mínimo. Flávio Bolsonaro, por outro lado, representa a continuidade de um projeto político que precarizou direitos e aprofundou a miséria. Se você não gosta dos números, apresente evidências contrárias, não apenas xingamentos.
A sua reação emocional, gritando “comunista” como se fosse um insulto, revela o quanto a direita brasileira perdeu a capacidade de debater ideias. Marx já alertava que a ideologia dominante é a ideologia da classe dominante, e você internalizou um discurso que taxam de “comunista” qualquer política que busque justiça social. Lula não é comunista, é um social-democrata que opera dentro da lógica capitalista, mas com a coragem de enfrentar os interesses do grande capital financeiro e do agronegócio. Enquanto isso, Flávio Bolsonaro e sua família defendem os mesmos privilégios que sempre mantiveram o povo na pobreza. A pesquisa não é fraudulenta; o que é fraudulento é o projeto político que tenta vender a ideia de que menos Estado e mais mercado vão resolver os problemas de quem passa fome.
Você se sente ofendido pelo resultado, mas a verdade é que a classe trabalhadora brasileira está colhendo os frutos de um governo que, apesar das contradições, prioriza o bem-estar social. Se você realmente se importa com o Brasil, deveria deixar de lado essa histeria anticomunista e olhar para os dados: inflação controlada, desemprego caindo, poder de compra recuperado. Enquanto isso, a oposição de direita não apresenta um projeto de país, apenas repete slogans vazios e ataca instituições. Reflita sobre qual lado realmente defende seus interesses, Zé do Povo — o do trabalhador ou o dos herdeiros do poder que sempre nos exploraram.
Augusto Silva
23/06/2026
Zé, chamar pesquisa de fraudulenta sem apresentar um único dado é o equivalente político de bater panela na cozinha. A Indexa é metodologia séria, e o Lula lidera porque a economia real não mente — desemprego caindo, renda subindo. Mas entendo: negar fatos é mais fácil que explicar por que o Bolsonaro não tem propostas.
Luciana Santos
23/06/2026
Pesquisa é pesquisa, mas na prática o que resolve é o preço da passagem e se o ônibus passa no horário. Lula ou Flávio, pra mim tanto faz, quero é ver promessa virar asfalto e emprego. Enquanto isso, a gente aqui segurando o tranco.
Lucas Gomes
23/06/2026
Luciana, sua indignação com o preço da passagem e a falta de emprego é legítima, mas o “tanto faz” entre Lula e Flávio ignora que o segundo representa a destruição ambiental e a exploração que aprofunda esse tranco que a gente segura.
Nadia Petrova
23/06/2026
Lucas, você tem razão ao apontar que Flávio é um desastre ambiental e social, mas daí a tratar Lula como alternativa palatável é um salto que só a falta de opções explica. Menos pior ainda é pior.