O Irã restabeleceu o controle total sobre o estreito de Ormuz, respondendo diretamente ao bloqueio mantido pelos Estados Unidos em portos iranianos e sinalizando firmeza de Teerã diante de novas pressões.
Embarcações iranianas abriram fogo contra um petroleiro na região. O capitão do navio havia relatado a aproximação de duas lanchas dos Guardiões da Revolução a cerca de 37 quilômetros da costa de Omã.
O incidente não provocou feridos. O petroleiro seguiu viagem normalmente, conforme registro da agência britânica de segurança marítima UKMTO.
Os eventos ocorreram poucas horas depois de o presidente Donald Trump reafirmar que o bloqueio aos portos iranianos continuará até a assinatura de um acordo. Trump ainda ameaçou não renovar o cessar-fogo vigente, posição interpretada em Teerã como provocação deliberada que compromete as negociações em curso.
Um diplomata iraniano ironizou o estilo do líder norte-americano. Ele afirmou que Trump fala muito enquanto os Estados Unidos carecem de poder real para cercear o estreito de Ormuz.
O guia supremo Ali Khamenei declarou que a marinha iraniana está pronta para defender a soberania nacional. A mensagem reforça a determinação de Teerã sobre a rota estratégica.
Conforme detalhou o portal RFI em sua cobertura ao vivo, pelo menos oito navios petroleiros e metaneiros cruzaram o estreito antes do anúncio iraniano. O volume de tráfego marítimo caiu de forma visível nas horas seguintes.
Alguns navios decidiram retornar em direção a Omã. A nova incerteza já provoca elevação nos preços do petróleo e reacende alertas sobre possível desabastecimento energético global.
O estreito de Ormuz separa o Irã de Omã e dos Emirados Árabes Unidos. A passagem responde por cerca de um quinto de todo o petróleo consumido no planeta e configura ponto de estrangulamento vital para o comércio mundial.
O Egito e o Paquistão aceleram esforços de mediação diplomática. O chanceler egípcio Badr Abdelatty informou que trabalha sem descanso para viabilizar um entendimento nas próximas horas.
O general Asim Munir, chefe do Exército paquistanês, encerrou visita a Teerã com idêntico objetivo. Os dois países buscam evitar que o impasse atual evolua para confronto regional de larga escala.
A disputa pelo controle do estreito ocorre em paralelo à trégua entre Israel e o Hezbollah. Um soldado francês da Força Interina da ONU no Líbano morreu em ataque recente, o que expõe a fragilidade do cessar-fogo.
Para as autoridades iranianas, a questão central é de soberania nacional. Elas classificam o bloqueio americano como forma ilegal de pressão econômica e ato de pirataria marítima disfarçado.
Washington mantém presença militar na região há décadas, sob o argumento oficial de garantia da liberdade de navegação. Teerã denuncia hipocrisia e violação de águas territoriais.
Analistas observam que o estreito de Ormuz nunca esteve fora do alcance operacional iraniano. A declaração formal de retomada serve como mensagem política clara contra o ultimato apresentado por Trump.
A alta nos preços do petróleo reflete o nervosismo dos mercados. Compradores asiáticos e europeus acompanham com atenção qualquer sinal de interrupção prolongada na rota do Golfo Pérsico.
O governo iraniano reitera disposição para o diálogo, desde que sua soberania seja respeitada. A posição contrasta com a abordagem maximalista adotada pela administração norte-americana nas últimas semanas.
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