Lula critica hegemonia dos EUA e diz que nações em desenvolvimento pagam pelas guerras alheias

O presidente Lula discursa durante o 1º Encontro de Mobilização Progressista. (Foto: sputnikglobe.com)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou duramente a hegemonia dos Estados Unidos durante discurso no 1º Encontro de Mobilização Progressista em Barcelona.

O líder brasileiro afirmou que as nações em desenvolvimento são tratadas como quintal das grandes potências e arcam com os custos humanos e econômicos de conflitos que não iniciaram. Segundo o portal Sputnik, Lula destacou que senhores da guerra lançam bombas sobre mulheres e crianças enquanto trilhões de dólares alimentam a indústria bélica.

Esses recursos, segundo o presidente, deveriam servir para combater a fome, a crise energética e os desafios sanitários que afetam bilhões de pessoas no mundo. Lula citou exemplos de intervenções baseadas em mentiras e manipulações geopolíticas.

Ele lembrou a invasão do Iraque em 2003, ordenada pelo então presidente dos EUA George W. Bush sob o falso pretexto de armas de destruição em massa. Mencionou também a intervenção na Líbia em 2011, que mergulhou o país africano em caos duradouro.

O mandatário condenou o genocídio em Gaza e os bombardeios israelenses no Líbano como demonstrações do colapso moral da comunidade internacional. Para Lula, esses episódios revelam a lógica de dominação que ainda guia a política externa norte-americana.

O presidente defendeu a reconstrução da credibilidade da Organização das Nações Unidas. Ele argumentou que a atual estrutura da ONU reflete um mundo que já não existe e perpetua desigualdades históricas favoráveis ao poder militar e econômico do Ocidente.

Lula defendeu um sistema internacional onde países desenvolvidos e em desenvolvimento tenham igual peso nas decisões globais. A multipolaridade surge, em sua visão, como necessidade para equilibrar as relações internacionais e garantir que vozes das nações emergentes sejam ouvidas.

O presidente apontou o BRICS como alternativa concreta à hegemonia unipolar que prevaleceu por décadas. O discurso em Barcelona reforça a linha diplomática brasileira de reposicionar o país como ator central na construção de uma nova governança global.


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