Crianças palestinas criam Escola da Liberdade após colonos bloquearem caminho com arame farpado na Cisjordânia

Crianças palestinas protestam contra a cerca que bloqueia o acesso à escola em Umm al-Khair, Cisjordânia ocupada. (Foto: aljazeera.com)

Dezenas de crianças da comunidade beduína de Umm al-Khair, na Cisjordânia ocupada, criaram uma Escola da Liberdade após colonos israelenses bloquearem com arame farpado o caminho que utilizam há décadas para chegar à escola.

A cerca foi erguida durante a noite por colonos do assentamento ilegal de Carmel, vizinho à aldeia. Câmeras de segurança registraram a ação, realizada sem qualquer autorização legal, conforme reportagem do Al Jazeera.

O novo gesto das crianças palestinas ecoa o espírito solidário descrito em nossa cobertura anterior, centrado na resistência civil diante do bloqueio israelense.

Soldados israelenses se recusaram a retirar o bloqueio mesmo com as imagens disponíveis. A barreira impede não apenas o trajeto das crianças, como também o acesso de mulheres à clínica local e de fiéis à mesquita da comunidade.

Os estudantes marcharam até o arame farpado com mochilas nas costas e cartazes nas mãos para exigir a reabertura do caminho. Entre eles estava Masa Hathaleen, de cinco anos, que implorou para poder frequentar as aulas.

Em momentos de tensão, os soldados lançaram gás lacrimogêneo e granadas de som contra o grupo, que incluía crianças pequenas. O professor Tareq Hathaleen, responsável pelas turmas do quarto ao oitavo ano, afirmou que a comunidade não aceitará a obstrução.

O líder comunitário Khalil Hathaleen lembrou que o caminho bloqueado existe desde 1980 e aparece em mapas tanto da administração civil israelense quanto da Autoridade Palestina. Educação é um direito de todos, inclusive das crianças de Umm al-Khair.

As autoridades israelenses ofereceram uma rota alternativa de cerca de três quilômetros, que os moradores rejeitaram por considerarem o trajeto perigoso. O novo caminho passa por postos avançados de colonos, onde veículos circulam em alta velocidade e há histórico de ataques.

O morador Awdah Hathaleen foi morto a tiros na região pelo colono Yinon Levy, sancionado internacionalmente. Apesar de ter sido preso, Levy continuou frequentando a área, o que elevou ainda mais a tensão local.

Desde então, colonos espalharam tábuas com pregos nas estradas e dirigem de forma agressiva contra os palestinos. A menina Siwar Hathaleen, de cinco anos, foi atropelada por um carro de colono e hospitalizada com ferimentos na cabeça.

O medo de novos incidentes leva muitos pais a recusarem deixar os filhos caminharem sozinhos. Com o bloqueio mantido pelo exército, as famílias transformaram o local do protesto em sala de aula improvisada.

As crianças sentam-se sobre pedras, abrem seus cadernos e estudam sob o sol enquanto soldados observam a poucos metros de distância. Khalil Hathaleen afirmou que, se ficarem em silêncio, ninguém os ouvirá.

O líder comunitário prometeu manter as aulas e as manifestações diárias até que o caminho seja reaberto. A aldeia enfrenta ainda ordens de demolição iminentes, uma vez que Israel raramente concede licenças de construção a palestinos na Área C da Cisjordânia, sob controle total israelense.

Para os moradores, a cerca e as ameaças de demolição fazem parte da mesma estratégia de expulsão. “Eles querem confiscar nossas terras e nos forçar a sair”, disse Khalil Hathaleen.

As crianças exibiram cartazes feitos à mão com mensagens diretas como “Queremos ir à escola” e “Deixem-nos aprender”. A comunidade permanece no local e continua ensinando suas crianças enquanto defende o direito de existir.


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