Fernando Haddad decidiu transformar o apelido pejorativo ‘Taxad’ em símbolo de sua proposta de justiça tributária. O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo associa novas taxações à cobrança proporcionalmente maior sobre os mais ricos.
A estratégia integra o reposicionamento de campanha do petista contra o governador Tarcísio de Freitas. Conforme reportou o portal Metrópoles, a narrativa busca reverter rejeição acumulada após medidas como a taxação de importações de até 50 dólares.
Haddad pretende destacar iniciativas aprovadas durante sua passagem pelo Ministério da Fazenda. Entre elas figuram a tributação das apostas esportivas eletrônicas, o come-cotas sobre fundos exclusivos, a taxação de rendimentos em offshores e o imposto mínimo de 15% sobre lucros de multinacionais.
Essas medidas são apresentadas como instrumentos de modernização do sistema tributário e de combate à concentração de renda. O petista as enquadra como ferramentas essenciais para financiar políticas públicas em um estado marcado por profundas desigualdades.
O discurso encontra inspiração em experiências progressistas no exterior. O deputado nova-iorquino Zohran Mamdani, candidato à prefeitura de Nova York, anunciou nas redes sociais o chamado Tax Day em frente a um edifício de luxo avaliado em centenas de milhões de dólares.
Mamdani defendeu o aumento de impostos sobre imóveis de alto valor cujos proprietários não residem permanentemente na cidade. O gesto foi recebido por setores progressistas como demonstração de compromisso com a redistribuição de riqueza e o enfrentamento às desigualdades urbanas.
Aliados de Haddad avaliam que a apropriação do apelido pode reforçar sua imagem de gestor técnico comprometido com equidade fiscal. Eles consideram que o eleitorado das grandes cidades paulistas reage positivamente a propostas que vinculam taxação à responsabilidade social.
O entorno do ex-ministro vê oportunidade de contrastar sua visão de Estado ativo com a agenda liberal defendida por Tarcísio de Freitas. Pesquisas indicam cenário ainda desafiador para o petista na disputa estadual.
Levantamento do Paraná Pesquisa aponta vitória de Tarcísio no primeiro turno e vantagem de 58,7% contra 35,1% de Haddad em eventual segundo turno. Já estudo da AtlasIntel divulgado no final de março mostrou disputa mais equilibrada, com 49,1% para o governador e 42,6% para o petista.
Durante encontro com deputados do PT em São Paulo, Haddad recebeu apoio explícito para intensificar o discurso de redistribuição de renda. O grupo defende que a tributação progressiva pode ganhar centralidade na campanha em contexto de desaceleração econômica.
Ao abraçar o apelido ‘Taxad’, o ex-ministro busca inverter completamente o sentido original da crítica. A ideia é apresentar a taxação de grandes fortunas, lucros e rendimentos financeiros como mecanismo legítimo de correção de distorções históricas.
A campanha pretende traduzir essa mensagem para temas concretos do cotidiano paulista, como transporte público, moradia e segurança. O desafio consiste em demonstrar que um Estado mais presente pode entregar melhores serviços sem penalizar a maioria da população.
Haddad aposta que sua trajetória como economista e gestor será reconhecida como alternativa ao modelo de redução do papel estatal. A proposta central segue sendo o financiamento adequado de políticas públicas por meio da contribuição mais elevada dos setores de maior renda.
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