Pesquisadores da Universidade do Sul da Califórnia desenvolveram um modelo de inteligência artificial que prevê com alta precisão a propagação de incêndios florestais em tempo real.
O sistema combina dados de satélite com simulações físicas para determinar o caminho, a intensidade e a velocidade das chamas. O professor de engenharia aeroespacial e mecânica Assad Oberai lidera o projeto após vivenciar a evacuação durante o incêndio Eaton, no sul da Califórnia, em 2025.
Essa experiência pessoal o motivou a desenvolver soluções tecnológicas para reduzir a imprevisibilidade desses desastres. A equipe do grupo Computation and Data Driven Discovery havia publicado em 2024 um estudo pioneiro sobre IA generativa combinando satélites e simulações.
O novo modelo, apresentado na revista Remote Sensing, aprimora a precisão ao utilizar dados de dois satélites complementares. O VIIRS entrega alta resolução espacial, enquanto o GOES oferece observações contínuas a cada cinco minutos.
Essa fusão de informações permite identificar com exatidão o momento e o local onde o fogo começou. Os pesquisadores reduzem assim as incertezas sobre o comportamento inicial das chamas, crítico para decisões de evacuação.
O modelo incorpora ainda características do terreno, como inclinação e altitude, que afetam diretamente a direção e a velocidade do incêndio. As chamas sobem encostas com maior rapidez, e essa dinâmica foi integrada aos algoritmos de inteligência artificial.
Os cientistas treinaram o sistema com informações de incêndios reais para capturar a variabilidade de condições climáticas, vegetação e topografia. As previsões demonstram excelente correspondência com medições infravermelhas de alta resolução obtidas por aeronaves.
Essa validação sugere que a ferramenta pode substituir parcialmente os métodos tradicionais de observação. As equipes de emergência passariam a contar com projeções quase instantâneas em vez de aguardar relatórios de campo.
O doutorando e coautor do estudo Bryan Shaddy ressalta o impacto concreto da pesquisa em sua comunidade. Ele cresceu em uma área da Califórnia central onde a fumaça dos incêndios se torna presença constante nos meses de verão.
Os pesquisadores buscam agora operacionalizar o sistema em grande escala para uso por bombeiros e gestores de crises. As temporadas de incêndios se alongam e se intensificam com as mudanças climáticas, o que torna urgente a disponibilidade dessa tecnologia.
Oberai destaca o papel decisivo da computação avançada diante do novo panorama climático. A inteligência artificial converte vastos volumes de dados em informações práticas que podem salvar vidas e minimizar perdas materiais, conforme reportagem do Phys.org.
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