Os preços do petróleo dispararam mais de 6% após a Marinha dos Estados Unidos apreender um navio de bandeira iraniana nas proximidades do estreito de Ormuz, reacendendo temores de escassez de oferta e ampliando a instabilidade no mercado energético global.
Tanto o Brent quanto o West Texas Intermediate registraram alta superior a 6%. Os contratos ultrapassaram as marcas de 96 e 88 dólares por barril, respectivamente.
Um navio de guerra americano disparou contra o cargueiro iraniano Touska no Golfo de Omã. A embarcação foi apreendida sob a alegação de que tentava romper o bloqueio naval imposto na região.
O governo da República Islâmica do Irã classificou a ação como pirataria marítima armada. As autoridades iranianas acusaram Washington de violar o cessar-fogo em vigor desde 8 de abril.
A escalada acontece em meio à ofensiva aérea dos Estados Unidos e de Israel contra alvos no Irã. Teerã decidiu restringir a passagem de embarcações consideradas hostis pelo estreito de Ormuz.
Essa rota estratégica é responsável por cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo. Qualquer interrupção gera efeitos imediatos sobre os preços internacionais e as cadeias de suprimento.
O governo do Kuwait declarou força maior em alguns embarques de petróleo e combustível. Essa medida indica que a crise logística já afeta contratos e compromissos de entrega internacionais.
Analistas avaliam que o aumento reflete o temor de redução prolongada na oferta do Golfo Pérsico. Centenas de milhões de barris permanecem bloqueados em razão da tensão na região.
As limitações da OPEP+ e o encarecimento do transporte marítimo dificultam a substituição dos barris retidos. A pressão sobre os preços continua a crescer no mercado global.
O impacto já se reflete diretamente nas bombas de combustível ao redor do mundo. Os custos da gasolina e do diesel subiram na Europa e em partes da Ásia.
Os contratos de óleo para aquecimento também registram forte alta. A Agência Internacional de Energia alertou para o risco de falta de querosene de aviação na Europa em poucas semanas.
Organizações humanitárias destacam os efeitos sobre a segurança alimentar global. O aumento nos preços de transporte e fertilizantes prejudica a produção agrícola em diversas regiões.
A Europa sofre particularmente com a interrupção no fluxo de petróleo do Oriente Médio. A Rússia, por sua vez, tem se beneficiado da alta com ganhos estimados em até 150 milhões de dólares por dia.
Os Estados Unidos emitiram uma nova isenção de sanções para o petróleo russo já embarcado. O governo russo reiterou o apelo por solução pacífica e se ofereceu para suprir lacunas na oferta global.
A apreensão do navio iraniano Touska intensifica a percepção sobre o estreito de Ormuz como ponto crítico de disputa energética e militar. O incidente aprofunda a crise entre as potências envolvidas e mantém os mercados em alerta máximo.
Leia mais sobre o assunto na rt.com.
Leia também: Irã acusa EUA de pirataria e promete resposta após apreensão de cargueiro no estreito de Ormuz
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