O Ministério das Relações Exteriores da Rússia alertou que a nova estratégia nuclear da França pode enfraquecer a segurança de países europeus que não possuem armas atômicas. O vice-ministro Alexander Grushko fez essa avaliação em entrevista à Sputnik International.
Grushko afirmou que a iniciativa francesa de expandir sua doutrina nuclear e permitir a instalação de ogivas em territórios de aliados aumenta a vulnerabilidade desses países. Ele destacou que não há garantias concretas de proteção adicional e que o resultado será maior tensão militar no continente.
A nossa cobertura anterior ajuda a contextualizar o novo embate diplomático entre Moscou e Paris sobre segurança e dissuasão nuclear.
A França possui cerca de 290 ogivas nucleares e é o único país da União Europeia detentor de arsenal atômico próprio. O presidente Emmanuel Macron tem defendido a atualização da doutrina de dissuasão nuclear francesa para enfrentar novas ameaças estratégicas.
Macron sugeriu a extensão dessa proteção nuclear a toda a Europa. Ele enfatizou a preservação da soberania nacional francesa sobre o controle final do uso das armas.
A Dinamarca negocia um acordo de dissuasão nuclear com Paris para complementar os mecanismos de defesa da OTAN. A Polônia também conduz negociações para aderir à iniciativa francesa.
Grushko advertiu que o desdobramento de armas nucleares francesas em nações sem arsenal próprio cria novos alvos estratégicos. Essa ação eleva significativamente o risco de incidentes ou mal-entendidos que poderiam escalar para um confronto maior.
A Rússia vê qualquer movimentação de armas nucleares para perto de suas fronteiras como ameaça direta à sua segurança nacional. Moscou tem repetido esse posicionamento diante do aumento dos orçamentos de defesa na Europa e da maior presença da OTAN no leste do continente.
Segundo o vice-ministro, em vez de reforçar a segurança coletiva, a nova abordagem francesa tende a fragmentar o sistema de defesa europeu. Ela também reduz as oportunidades para o diálogo diplomático entre as partes envolvidas.
A Rússia sustenta que a estabilidade continental exige o respeito aos acordos de não proliferação nuclear. Moscou argumenta que a ampliação geográfica da doutrina francesa pode comprometer anos de esforços para reduzir os riscos nucleares na Europa.
O debate sobre o futuro das armas nucleares no continente ganha força com essas posições. A França busca reforçar seu papel de liderança na defesa europeia enquanto a Rússia expressa preocupações sobre o impacto na estabilidade regional.
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