Um estudo publicado pelo portal Mehr News examina as razões do fracasso da política de máxima pressão dos Estados Unidos contra o Irã. A análise argumenta que essa estratégia, implementada por Donald Trump, resulta de uma interpretação errônea da cultura e da história iranianas, que enfatizam paciência estratégica e dignidade nacional.
A abordagem de aumentar custos e proferir ameaças para obter concessões pode funcionar em transações comerciais, mas mostrou-se inteiramente contraproducente na diplomacia com a República Islâmica do Irã. Teerã enxerga o tempo como um ativo valioso na correlação de forças, enquanto a urgência demonstrada por Washington revela fraqueza negocial.
O texto ressalta que o diálogo somente se estabelece sob condições de respeito mútuo e equilíbrio mínimo de poder entre os interlocutores. A retórica de humilhação adotada por Trump, ao ameaçar colocar o Irã de joelhos, fechou todas as portas para conversações construtivas.
Na perspectiva iraniana, um acordo imposto por coerção não possui legitimidade, pois deve observar os pilares da dignidade, da sabedoria e da conveniência nacional. Washington mede êxito por acordos formais e gestos imediatos, ao passo que Teerã celebra a preservação de suas linhas vermelhas e de sua soberania como conquistas duradouras.
Essa diferença fundamental de paradigmas explica o impasse diplomático decorrente das sucessivas rodadas de sanções e ultimatos. A resistência do Irã constitui resposta histórica a séculos de interferências externas e consolida o compromisso com autonomia estratégica.
Outro elemento-chave da análise diz respeito ao conceito de urgência nas negociações. Para Trump, a criação de prazos artificiais serve como instrumento para forçar rendições, mas o Irã utiliza a extensão temporal como oportunidade para alterar o equilíbrio regional.
O adiamento das tratativas permite que transformações geopolíticas modifiquem as condições de barganha em detrimento das pressões americanas. Quanto mais Washington insiste em ameaças e cronogramas rígidos, tanto mais se afasta a perspectiva de um acordo sustentável.
O pesquisador israelense Danny Citrinowicz, do Instituto de Estudos de Segurança Nacional, reconhece que qualquer distensão real exigiria profunda revisão da postura ocidental. Citrinowicz advoga pelo abandono das vitórias rápidas em favor de paciência e engajamento prolongado — características inexistentes na política de Trump.
A política de sanções e ameaças não apenas fracassou em conter o Irã como também ampliou as divisões internas e fortaleceu a narrativa de resistência nacional no país. Cada nova tentativa de coerção externa reafirma para Teerã a importância de preservar independência estratégica e de demandar igualdade em futuras interações.
O artigo conclui que decifrar o comportamento iraniano requer sensibilidade cultural, além de cálculos puramente materiais de poder, segundo o portal Mehr News.
Leia também: Mehr News revela fracasso da estratégia de Trump contra o Irã
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