O avanço das fontes limpas de energia atingiu um marco histórico em 2025: a geração global de eletricidade a partir de renováveis superou o crescimento da demanda mundial e reduziu a produção proveniente de combustíveis fósseis.
O movimento foi liderado por China e Índia, que ampliaram fortemente o uso de energia solar e eólica, substituindo o gás e o carvão em suas matrizes energéticas. O Relatório Global de Eletricidade 2026 do think tank Ember, citado pela agência ANSA, mostra que a expansão das renováveis chegou a 887 terawatts-hora (TWh), superando o aumento da demanda global de 849 TWh.
Essa diferença foi suficiente para provocar uma queda de 38 TWh na geração de energia a partir de fontes fósseis. Um feito que ocorreu apenas cinco vezes no último século.
O estudo destaca que 75% do crescimento das energias limpas veio do setor solar, que aumentou 636 TWh e alcançou 2.778 TWh de produção total. A geração fotovoltaica mundial multiplicou-se por dez desde 2015 e dobra a cada três anos, impulsionada principalmente pela China, responsável por mais da metade do aumento global em 2025, com 336 TWh adicionais.
Na Índia, a produção elétrica a partir de fontes renováveis cresceu 98 TWh no mesmo período, consolidando o país como uma das locomotivas da transição energética. Juntas, China e Índia respondem por 42% da eletricidade mundial gerada a partir de combustíveis fósseis, mas vêm conseguindo reduzir essa dependência mesmo com o aumento do consumo interno.
O caso chinês chama atenção pela escala: o país aumentou o consumo elétrico em 503 TWh, mas cobriu toda essa demanda e ainda gerou excedente com fontes limpas, somando 561 TWh adicionais em energia renovável. Esse desempenho reforça o papel de Pequim como principal motor global da descarbonização, em contraste com a estagnação observada em várias economias ocidentais.
Enquanto as potências emergentes avançam, a Itália seguiu em direção oposta. As novas instalações de energia renovável no país caíram 8,2% em 2025, totalizando 6,22 gigawatts — o primeiro recuo desde 2022. Segundo operadores do setor, o principal obstáculo tem sido a instabilidade regulatória, a burocracia nas autorizações e o comportamento de resistência local conhecido como “nimby” (sigla em inglês para “not in my backyard”).
O relatório ressalta que, mesmo em um cenário global marcado por guerras e alta nos preços dos combustíveis fósseis, a transição energética continua avançando. A liderança asiática nesse processo simboliza a consolidação de um novo eixo de poder climático e tecnológico, com China e Índia assumindo protagonismo na agenda ambiental internacional.
Para especialistas, o desempenho das duas nações demonstra que é possível conciliar crescimento econômico e redução de emissões, desde que haja planejamento estatal e investimentos contínuos em inovação. O movimento também pressiona países desenvolvidos a acelerar suas metas de neutralidade de carbono, sob risco de perderem competitividade na economia verde emergente.
O avanço das renováveis em 2025 não apenas marca um ponto de inflexão no sistema energético mundial, mas também redefine a geopolítica da energia. Com a Ásia à frente da revolução solar e eólica, o equilíbrio global se desloca gradualmente para o Oriente, reforçando a multipolaridade e a urgência de políticas sustentáveis em escala planetária.
Leia também: China amplia rede de energia de ultratensão e consolida liderança global na transição para fontes renováveis
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