O rover Curiosity da NASA identificou mais de 20 moléculas orgânicas em rochas marcianas, incluindo substâncias com nitrogênio e enxofre semelhantes às que contribuíram para o surgimento da vida na Terra primitiva.
O experimento representa a primeira aplicação bem-sucedida de análise química desse tipo em outro planeta. O instrumento Sample Analysis at Mars empregou hidróxido de tetrametilamônio para examinar amostras coletadas em rochas ricas em argila.
Desde o pouso na cratera Gale em 2012, o veículo investiga o Monte Sharp e a região de Glen Torridon. A professora Amy Williams, do Departamento de Ciências Geológicas da Universidade da Flórida, comandou o estudo, cujos resultados foram publicados na revista Nature Communications.
O uso do reagente TMAH em Marte exigiu anos de preparação em laboratório, conforme detalhou o Space.com. Williams explicou que o teste confirmou a preservação de carbono macromolecular no subsolo apesar da intensa radiação cósmica.
Os compostos foram encontrados em arenitos da seção Knockfarrill Hill, com idade aproximada de 3,5 bilhões de anos. Essa preservação ocorreu mesmo após o processo de diagênese e a exposição prolongada à radiação.
Os pesquisadores concluíram que as moléculas detectadas derivam da decomposição térmica de material orgânico macromolecular antigo. A equipe recorreu a instrumentos de backup do SAM para confirmar a validade das medições obtidas.
A caracterização detalhada da matéria orgânica marciana ajuda a esclarecer se sua origem é biológica, geológica ou proveniente de meteoritos e poeira interplanetária. Os achados do Curiosity somam-se aos registros de compostos orgânicos complexos obtidos pelo rover Perseverance em outra região do planeta.
A diversidade química encontrada indica que Marte preserva um arquivo mais rico do que se supunha anteriormente. Versões aprimoradas do experimento com TMAH foram planejadas para a missão europeia Rosalind Franklin.
O módulo Dragonfly, destinado ao estudo de Titã, pode adotar técnicas analíticas semelhantes em seu projeto. Williams ressaltou que a capacidade de moléculas grandes resistirem por bilhões de anos abre novas possibilidades para missões robóticas e tripuladas.
Os dados obtidos vão permitir que instrumentos mais avançados determinem com maior precisão a fonte exata desses compostos. Essa linha de investigação amplia o catálogo de moléculas preservadas ao longo do tempo geológico no Sistema Solar.
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