O fechamento do estreito de Ormuz provocou uma reconfiguração nas rotas marítimas globais e transformou o canal do Panamá em um dos pontos mais disputados do comércio internacional, conforme reportagem da RFI.
A guerra no Oriente Médio aumentou a demanda asiática por petróleo e gás das Américas. O canal enfrenta congestionamentos inéditos, pois permite apenas cerca de quarenta travessias diárias.
Superpetroleiros destinados à China, ao Japão e à Coreia do Sul geram filas crescentes. As empresas disputam leilões pagando até quatro milhões de dólares por prioridade na travessia.
O geógrafo francês Sylvain Domergue, autor do livro Géopolitique des espaces maritimes, explicou que os navios asiáticos buscam fontes alternativas no Golfo do México e em outras regiões das Américas. Segundo ele, a interrupção do tráfego em Ormuz levou os importadores asiáticos a multiplicarem suas rotas de abastecimento, reforçando a importância do Panamá.
Domergue destacou que o fenômeno não se limita à China, mas abrange também o Japão, a Coreia do Sul e outros países da Ásia. Essa dinâmica expõe a dependência global aos combustíveis fósseis e como um bloqueio em rota vital gera efeitos em cadeia no comércio marítimo e nos preços do petróleo.
O especialista considera improvável uma substituição estrutural do estreito de Ormuz pelo canal do Panamá. Ele avalia o desvio atual como conjuntural e pouco provável que a crise no Golfo Pérsico se estenda por tempo suficiente para alterar o equilíbrio global.
As autoridades do canal alertam que o limite de quarenta passagens diárias já é o máximo operacional sustentável. As limitações das eclusas, combinadas à escassez de água provocada por secas, impedem uma expansão rápida da capacidade do sistema.
O congestionamento no Panamá simboliza a interdependência entre crises regionais e o sistema econômico mundial. A guerra no Oriente Médio reposiciona temporariamente o eixo do comércio energético e expõe a vulnerabilidade das cadeias logísticas globais.
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