A ex-alta representante da União Europeia para Assuntos Exteriores, Federica Mogherini, afirmou que é impossível alcançar um acordo com o Irã por meio da pressão.
A diplomata italiana enfatizou que a coerção nunca constitui uma estratégia eficaz com um país de história milenar e grande orgulho nacional. Mogherini foi figura central nas negociações que levaram ao Plano de Ação Integral Conjunto em 2015.
Ela defendeu o respeito como fundamento essencial para qualquer progresso diplomático com Teerã. Descreveu o Irã como uma nação com cerca de 90 milhões de habitantes, cultura profunda, capacidade técnica avançada e dinâmica política complexa que exige reciprocidade e confiança mútua.
Mogherini destacou a alta qualificação dos negociadores iranianos, tanto no aspecto técnico quanto no diplomático. A ex-chefe da diplomacia europeia lembrou que o atual ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, já integrava a equipe de negociação do programa nuclear há mais de uma década.
Para Mogherini, qualquer retomada das conversas precisa apresentar ao Irã benefícios econômicos concretos e claros. Ela recordou que o acordo de 2015 funcionava plenamente até ser unilateralmente rompido por Trump, antes que Teerã colhesse todos os ganhos previstos.
A ex-alta representante classificou a saída americana do pacto como um erro estratégico grave que destruiu a confiança laboriosamente construída. Mogherini afirmou que os Estados Unidos criaram o impasse atual e que a escalada de tensões nunca deveria ter ocorrido.
Ela propôs que um novo entendimento inclua incentivos econômicos robustos e salvaguardas contra retiradas unilaterais por qualquer das partes. A diplomata defendeu ainda maior envolvimento da comunidade internacional, em particular dos países europeus, para conferir credibilidade ao processo.
As observações de Mogherini ressaltam a importância de construir confiança mútua em vez de recorrer à imposição de sanções. Sua experiência direta nas negociações anteriores reforça a visão de que o respeito ao parceiro iraniano é indispensável para o sucesso de qualquer acordo nuclear.
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