Novas observações astronômicas indicam que o sistema de Urano pode abrigar mais luas do que as 28 já conhecidas.
Dados obtidos a partir de telescópios espaciais mostram que pequenas luas ainda não identificadas podem ser responsáveis pela formação de parte dos anéis externos do gigante de gelo. Os cientistas descobriram que as partículas dos anéis mu e nu têm origens distintas, geradas por satélites de naturezas diferentes.
Essas estruturas, menos brilhantes que as de Saturno, foram detectadas pela primeira vez em 1977 durante uma ocultação estelar. As primeiras imagens diretas vieram da sonda Voyager 2 em 1986.
Desde então, o Telescópio Espacial Hubble e os telescópios do Observatório W. M. Keck permitiram identificar 13 anéis no total. O astrônomo Mark Showalter, do SETI Institute, liderou a descoberta dos anéis mu e nu entre 2003 e 2005.
O anel mu é azulado, enquanto o anel nu tem tom avermelhado, o que indica composições distintas. Essa diferença de cor foi confirmada por análises espectrais recentes.
A pesquisadora Imke de Pater, da Universidade da Califórnia em Berkeley, coordenou a combinação de dados do Telescópio Espacial James Webb com observações anteriores. A equipe produziu o primeiro espectro completo de refletância, confirmando as variações de cor e de composição.
De Pater afirmou que a análise da luz refletida identifica o tamanho das partículas e oferece pistas sobre sua origem. O estudo amplia a compreensão sobre a formação do sistema uraniano e de planetas semelhantes no Sistema Solar externo.
O anel mu é composto principalmente por partículas de gelo de água, semelhantes às do anel E de Saturno, alimentado pela lua Encélado. Esse material parece estar relacionado à lua Mab, um pequeno satélite irregular de 12 quilômetros descoberto em 2003, cuja composição gelada contrasta com outras luas internas mais rochosas.
O anel nu, por sua vez, apresenta composição escura, rica em compostos orgânicos, com 10 a 15% de materiais à base de carbono. Os cientistas acreditam que ele se forma a partir de poeira liberada por impactos de micrometeoritos em pequenos corpos rochosos ainda não detectados.
De Pater explicou que colisões entre corpos invisíveis ricos em compostos orgânicos podem explicar o material dos anéis. Indícios mostram ainda que o brilho do anel mu varia de forma sutil, embora o significado permaneça desconhecido.
Showalter, responsável pela descoberta das luas Mab e Cupido, afirmou que apenas uma missão espacial com imagens de alta resolução responderá às dúvidas sobre os anéis. Uma missão desse tipo foi classificada como prioridade pela Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, dependendo de financiamento adequado.
Os resultados completos da pesquisa foram publicados em 16 de abril no Journal of Geophysical Research: Planets. O trabalho reforça o interesse científico na estrutura e na evolução de Urano, além do papel fundamental das pequenas luas na formação dos anéis.
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