O leste da África, considerado berço da humanidade, encontra-se em processo acelerado de fragmentação geológica.
Um novo estudo publicado na revista Nature Communications revela que a crosta terrestre sob o Vale do Rift — especialmente na região de Turkana, entre o Quênia e a Etiópia — está significativamente mais fina do que se imaginava. A pesquisa foi liderada pelo doutorando Christian Rowan, do Lamont-Doherty Earth Observatory da Universidade Columbia.
Conforme detalhou o portal Phys.org, o processo de rifteamento avança com a placa africana se afastando da placa da Somália a uma taxa de cerca de 4,7 milímetros por ano. O movimento gera intensa atividade vulcânica e sísmica na região.
Os cientistas utilizaram medições sísmicas de alta qualidade obtidas em parceria com o Turkana Basin Institute, fundado pelo falecido paleoantropólogo Richard Leakey. A análise de como as ondas acústicas refletiam nas camadas subterrâneas permitiu mapear a estrutura interna da crosta e medir precisamente sua espessura ao longo do eixo do Rift.
Os resultados mostram que, no centro da fenda, a crosta possui apenas 13 quilômetros de espessura. Nas bordas, a medida ultrapassa 35 quilômetros — o que evidencia o processo conhecido como “necking”, no qual a crosta se alonga e afina até se romper completamente.
Rowan comparou o fenômeno ao de um doce puxado pelas pontas, que se estreita no meio até se partir. A geofísica Anne Bécel, coautora do estudo, afirma que o leste africano já atingiu um ponto crítico de enfraquecimento da crosta.
Esse estágio precede a oceanização, quando o magma sobe pelas fraturas e cria novo fundo oceânico, permitindo a entrada de água do oceano Índico. Embora o processo completo demande milhões de anos, a descoberta sinaliza uma transformação geológica profunda no continente africano.
Os pesquisadores identificaram vestígios de um episódio anterior de rifteamento que não causou separação continental, mas deixou a crosta enfraquecida. Essa constatação desafia modelos tradicionais sobre fragmentação de continentes e ajuda a refinar teorias sobre evolução tectônica global.
O geofísico Folarin Kolawole, também da Universidade Columbia, destacou que o Rift de Turkana é o primeiro exemplo ativo conhecido de zona continental em estágio de “necking”. Ele observa que o local oferece oportunidade única para estudar em tempo real os mecanismos que moldaram as margens continentais do planeta.
As conclusões do estudo possuem implicações diretas para a paleoantropologia. A região do Rift de Turkana abriga mais de 1.200 fósseis de hominídeos recuperados nos últimos 4 milhões de anos.
Rowan sugere que as condições criadas pelo afundamento da crosta e pela deposição rápida de sedimentos após erupções vulcânicas favoreceram a preservação excepcional desses fósseis. Os cientistas buscam integrar dados geológicos e climáticos para compreender como o movimento das placas e as mudanças ambientais influenciaram a trajetória evolutiva dos ancestrais humanos.
O trabalho reforça a importância da cooperação científica internacional e do investimento em pesquisa geofísica no continente africano. Ao desvendar o passado profundo da Terra, os cientistas projetam o futuro de um planeta em constante transformação — onde a África lentamente se prepara para dar origem a um novo oceano.
Leia também: Grandes rachaduras no solo da Etiópia revelam processo geológico que pode dividir a África e formar novo oceano
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