O Exército de Israel divulgou um mapa que traça uma nova linha de implantação militar dentro do território libanês, apresentado como “linha de defesa avançada” e abrangendo dezenas de vilarejos no sul do Líbano esvaziados durante a ofensiva israelense.
A ofensiva foi marcada pela destruição de infraestrutura e pela morte de cerca de 3.700 pessoas, segundo autoridades libanesas. O mapa foi publicado dias após o início do cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos.
O acordo buscou interromper mais de um mês de confrontos entre Israel e o Hezbollah. Ele foi alcançado após as primeiras negociações diretas em décadas entre as partes envolvidas.
O cessar-fogo tinha como objetivo apoiar uma agenda diplomática mais ampla entre Washington e Teerã. A presença contínua de tropas israelenses, contudo, indica resistência ao recuo total do território.
Conforme a RT, a linha de implantação mostrada no mapa se estende de leste a oeste. Ela avança entre 5 e 10 quilômetros além da fronteira internacional, onde Israel pretende criar uma zona de segurança.
O Exército israelense mantém cinco divisões e forças navais operando ao sul dessa linha. O propósito declarado é desmantelar a infraestrutura do Hezbollah e evitar novos ataques contra comunidades no norte de Israel.
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, declarou que residências e estradas próximas à fronteira supostamente utilizadas pelo Hezbollah serão demolidas. Katz acrescentou que qualquer estrutura que represente ameaça aos soldados deve ser destruída imediatamente.
As forças armadas estão autorizadas a usar “força total” no Líbano mesmo durante o cessar-fogo caso se sintam ameaçadas. O Hezbollah manifestou apoio condicional à trégua e exige o fim completo dos ataques israelenses.
O grupo libanês também demanda a retirada total das tropas de seu território. As autoridades de Beirute relatam que os ataques provocaram mais de 7.500 feridos e mais de um milhão de deslocados internos.
Os avanços israelenses no sul do Líbano reacendem memórias da ocupação de 1982 e geram preocupações sobre a violação da soberania libanesa. Teerã condicionou o avanço das negociações com os Estados Unidos ao fim das operações militares israelenses no país.
A manutenção das tropas israelenses, mesmo sob pretexto de segurança, é vista como obstáculo aos esforços de distensão no Oriente Médio. O episódio reforça que o conflito transcende as fronteiras libanesas e se insere em uma disputa geopolítica mais ampla.
Essa disputa envolve o equilíbrio de poder entre o eixo EUA-Israel e o bloco formado pela República Islâmica do Irã e seus aliados. A publicação do mapa em meio ao frágil cessar-fogo sinaliza que a ocupação militar ainda é uma possibilidade concreta no sul do Líbano.
Analistas regionais alertam para os riscos de escalada renovada na região caso a retirada não se concretize plenamente. A situação mantém o sul do Líbano como ponto crítico de instabilidade no Oriente Médio.
Leia mais sobre o assunto na rt.com.
Leia também: Exército israelense destrói sistematicamente vilarejos no sul do Líbano e amplia ocupação
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