O agronegócio brasileiro vive uma das piores crises climáticas de sua história, segundo relatório conjunto da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e da Organização Meteorológica Mundial (OMM).
O documento de 108 páginas apresenta o Brasil como estudo de caso sobre os efeitos do calor extremo. Ele detalha perdas que chegaram a 14,3 milhões de toneladas de soja em uma única safra.
A projeção inicial da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) de 162 milhões de toneladas foi revisada para 147,7 milhões. Essa redução de quase 10 por cento foi atribuída ao estresse térmico persistente.
O portal CartaCapital apresentou os principais achados do estudo, que analisa o fenômeno como nova normalidade climática. O estado de São Paulo registrou queda superior a 20 por cento na produção de soja.
A primeira safra de milho também caiu mais de 10 por cento no estado. Culturas como amendoim, batata, cana-de-açúcar e feijão enfrentaram surtos de pragas e fungos impulsionados pelo calor.
A mosca branca e o fungo Macrophomina phaseolina se proliferaram nas lavouras. Temperaturas acima de 30 graus Celsius ocorreram em mais de 60 por cento dos dias entre outubro de 2023 e maio de 2024 nas regiões produtoras.
Esse padrão, antes típico do Nordeste, se espalhou para outras áreas. O relatório enfatiza que o calor direto causou as principais perdas — e não a falta de água.
A seca agrícola se concentrou principalmente no Leste do país, segundo medições por satélite. Os pesquisadores brasileiros Orivaldo Brunini e Flavio Justino contribuíram para a elaboração do estudo e alertam para a necessidade de políticas de adaptação estruturais diante do novo padrão climático.
Na pecuária, os impactos sobre os suínos também foram graves. Esses animais enfrentaram estresse térmico severo por até 20 dias por mês no Centro-Oeste.
O relatório descreve a escalada dos níveis de risco térmico para o gado. O que era considerado estresse leve tornou-se moderado, e o moderado virou severo.
O gado leiteiro sofreu perdas na produção que não se recuperam mesmo com a normalização das temperaturas. Essa situação gera impactos econômicos profundos e de longo prazo para as famílias rurais.
O risco de incêndios aumentou de forma inédita no Centro-Oeste. O percentual de dias com perigo elevado subiu até 40 pontos percentuais, o que equivale a 150 dias adicionais de risco por ano.
As queimadas consumiram vastas áreas e geraram névoa tóxica sobre as cidades. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) registrou o maior número de focos desde 2010.
Os incêndios no Pantanal em junho de 2024 teriam sido 10.000 vezes menos prováveis sem as mudanças climáticas provocadas pelo homem. Esse dado reforça a conexão entre a ação humana e os extremos observados.
No Rio Grande do Sul, uma frente fria bloqueada por calor no Norte gerou chuvas extremas. Municípios registraram mais de 500 milímetros de precipitação, com picos de 700 milímetros em duas semanas.
As enchentes destruíram cerca de 2 milhões de toneladas de soja e geraram perdas de 1,2 bilhão de reais. O desastre causou ainda 183 mortes e deixou mais de 600 mil desabrigados.
A produção de camarão rosa na Lagoa dos Patos foi devastada pelas condições climáticas. A ciência de atribuição indica que as mudanças climáticas dobraram a probabilidade de chuvas intensas no Sul.
Os trabalhadores rurais enfrentaram os maiores riscos durante o período. O índice WBGT ultrapassou os limites de segurança na maior parte dos dias no Norte, no Nordeste e no Centro-Oeste.
O relatório conclui que o setor mais resistente a políticas climáticas no Congresso é também o mais afetado pelos eventos extremos. As perdas documentadas representam um balanço real de uma safra já finalizada — e não meras projeções.
📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho
Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.
if(!email) { responses.innerHTML = "Por favor, insira um e-mail válido."; return; }
button.innerText = "Enviando..."; button.style.opacity = "0.7"; button.disabled = true; responses.innerHTML = "";
// Transforma a action nativa em endpoint JSONP e anexa os dados var formAction = this.action.replace('/post?', '/post-json?'); var formData = new FormData(this); var url = formAction;
for (var pair of formData.entries()) { url += "&" + encodeURIComponent(pair[0]) + "=" + encodeURIComponent(pair[1]); }
var script = document.createElement('script'); var callbackName = 'mailchimpCallback' + new Date().getTime(); window[callbackName] = function(data) { button.innerText = "ASSINAR"; button.style.opacity = "1"; button.disabled = false;
if (data.result === 'success') { responses.innerHTML = "✅ Inscrição confirmada com sucesso! Bem-vindo(a) ao O Cafezinho."; document.getElementById('mce-EMAIL-ajax').value = ''; } else { var msg = data.msg || ""; if(msg.includes('is already subscribed')) { msg = "⚠️ Este e-mail já está assinado na nossa newsletter."; } else if(msg.includes('too many')) { msg = "⚠️ Muitas tentativas. Tente novamente mais tarde."; } else if(msg.includes('domain')) { msg = "⚠️ O domínio do e-mail é inválido."; } else { msg = "⚠️ Erro: " + msg; } msg = msg.replace(/^[0-9]+\s-\s/, ''); responses.innerHTML = "" + msg + ""; } delete window[callbackName]; document.body.removeChild(script); };
url = url + '&c=' + callbackName; script.src = url; document.body.appendChild(script); });