A Indonésia avalia a adoção de estratégia semelhante à da República Islâmica do Irã para cobrar pedágio de navios no estreito de Malaca.
O ministro das Relações Exteriores da Indonésia, Sugiono, defendeu a criação de taxa sobre embarcações que utilizam a rota estratégica. Ele afirmou que o país não pode permitir passagem gratuita por corredor que movimenta parcela expressiva do comércio e do suprimento energético global.
Sugiono defendeu que eventual receita fosse repartida entre Indonésia, Malásia e Singapura. A divisão geraria ganhos relevantes para as três economias.
O presidente da Indonésia, Prabowo Subianto, manifestou apoio público à proposta. Subianto lembrou que cerca de 70 por cento do fluxo energético do Leste Asiático passa por águas sob controle indonésio.
Subianto questionou se o país tem plena consciência de sua relevância geoeconômica. Ele defendeu a transformação dessa posição em vantagem econômica e política concreta.
O estreito de Malaca é administrado conjuntamente por Indonésia, Malásia e Singapura conforme a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar. Os três países coordenam segurança da navegação e proteção ambiental por meio do Grupo Tripartite de Especialistas Técnicos.
O canal possui largura de apenas 2,8 quilômetros em seu ponto mais estreito. Ele conecta o oceano Índico ao mar do Sul da China e responde por cerca de 30 por cento do comércio marítimo mundial.
Segundo o Sputnik International, entre 23 e 25 milhões de barris de petróleo passam diariamente pela rota. Esse volume supre aproximadamente 80 por cento das importações chinesas de petróleo.
Qualquer interrupção no tráfego provocaria elevação imediata nos preços internacionais do petróleo. Os custos logísticos subiriam de forma acentuada e as cadeias de suprimentos sofreriam disrupções graves em escala global.
O desvio das rotas para contornar o arquipélago indonésio aumentaria tanto os gastos quanto o tempo de viagem das embarcações. Economias de toda a Ásia e de outras regiões registrariam impactos negativos diretos com a mudança.
A proposta indonésia revela esforço para monetizar posição geográfica estratégica no mapa mundial. O país observa a experiência iraniana no estreito de Ormuz como referência para sua própria abordagem.
Analistas de geopolítica marítima monitoram o debate sobre eventual cobrança de pedágio. A medida poderia modificar dinâmicas do comércio asiático e ampliar a influência regional da Indonésia.
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