O governo federal decidiu não avançar com a criação da estatal Terrabras. A medida marca uma mudança de estratégia e reforça a aposta no setor privado para explorar minerais críticos no Brasil.
A decisão foi tomada após reunião no Palácio do Alvorada.
Segundo relatos, a avaliação predominante no governo é que criar uma nova estatal “não é necessário neste momento” e poderia gerar entraves regulatórios e fiscais.
O movimento contraria parte da base governista.
A proposta da Terrabras vinha sendo defendida por setores do PT, que argumentavam que minerais estratégicos — como lítio, terras raras e níquel — deveriam ter maior controle estatal por seu peso na economia do futuro.
Esses recursos são considerados centrais.
Eles são usados em baterias, veículos elétricos, chips e tecnologias de energia limpa, áreas que estão no centro da disputa global entre grandes potências.
Apesar disso, o governo optou por outro caminho.
A estratégia agora é apoiar o modelo defendido pelo relator do projeto no Congresso, que prioriza:
- atração de investimentos privados
- estímulos regulatórios
- fortalecimento da cadeia produtiva
- agregação de valor dentro do país
A decisão também reflete divergências internas.
Dentro do próprio governo havia divisão entre:
- ala favorável ao controle estatal
- ala que defende abertura ao mercado
O resultado foi uma solução intermediária.
Sem estatal, mas com maior coordenação pública por meio de políticas e incentivos.
O contexto é global.
A demanda por minerais críticos cresce com a transição energética e a digitalização da economia.
Países como Estados Unidos, China e União Europeia já disputam acesso e controle dessas matérias-primas.
O Brasil entra nesse cenário com vantagem geológica.
O país possui grandes reservas, mas ainda enfrenta um problema estrutural:
exporta matéria-prima e captura pouco valor industrial.
A nova estratégia tenta corrigir isso.
Segundo integrantes do governo, o foco será:
- ampliar pesquisa geológica
- incentivar industrialização
- garantir sustentabilidade na exploração
O impacto é direto.
Sem a Terrabras, o Brasil mantém o modelo baseado em empresas privadas e parcerias internacionais.
Isso pode acelerar investimentos.
Mas também levanta um debate.
Até que ponto o país consegue transformar riqueza mineral em desenvolvimento industrial sem maior controle estatal?
O dado central é a escolha de modelo.
O governo decidiu não criar uma estatal para liderar o setor.
E optou por um caminho mais alinhado ao mercado.
Em um momento em que minerais críticos se tornaram ativos estratégicos globais, essa decisão define como o Brasil vai disputar espaço nessa nova economia.
Com informações do G1