O escândalo do Banco Master ganhou um novo capítulo que agora atinge diretamente o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
Reportagem da Veja aponta que um pagamento de R$ 155 milhões associado a Daniel Vorcaro passou a ser alvo de questionamentos e elevou a pressão política sobre Alcolumbre, justamente em um momento em que o Congresso tenta evitar que o caso Master avance para novas frentes de investigação. A revelação ocorre em meio ao aprofundamento das apurações sobre as conexões políticas construídas pelo ex-controlador do Banco Master antes da liquidação da instituição.
O episódio ganha relevância porque Alcolumbre já vinha sendo citado em documentos e mensagens obtidos por investigadores. Em material revelado pela Folha de S.Paulo, Vorcaro relatou ter participado de reuniões na residência oficial do Senado em agosto de 2025, descrevendo os encontros como positivos e indicando novos compromissos nos dias seguintes.
A pressão política aumentou ainda mais porque o presidente do Senado passou a ser cobrado por sua atuação diante das investigações. Parlamentares da oposição e integrantes de CPIs questionaram a demora na liberação de documentos relacionados a Vorcaro. Em fevereiro, o ministro André Mendonça determinou que dados sigilosos do ex-banqueiro fossem entregues à Polícia Federal e compartilhados com a CPMI do INSS, revertendo decisão anterior que mantinha o material sob guarda da Presidência do Senado.
Nos bastidores de Brasília, a avaliação é que o caso deixou de ser apenas um escândalo financeiro para se transformar em uma crise institucional. O Banco Master já produziu investigações envolvendo fundos de pensão, bancos públicos, dirigentes financeiros, parlamentares e autoridades de diferentes esferas. O rombo associado ao caso é frequentemente citado entre os maiores da história recente do sistema financeiro brasileiro.
A situação é particularmente delicada para Alcolumbre porque ele ocupa uma posição estratégica. Como presidente do Senado, sua atuação influencia diretamente a instalação de CPIs, a tramitação de requerimentos e o ritmo de investigações parlamentares. Qualquer suspeita de proximidade excessiva com personagens do caso Master acaba gerando repercussão política imediata.
É importante destacar que a existência de pagamentos, reuniões ou contatos não constitui prova de irregularidade. Até o momento, não há condenação judicial contra Alcolumbre relacionada ao caso, e todos os envolvidos têm direito à ampla defesa, ao contraditório e à presunção de inocência.
Mesmo assim, o desgaste político cresce. O caso Master já atingiu figuras importantes do sistema financeiro, do Congresso e de governos estaduais. Agora, ao alcançar o presidente do Senado, amplia a percepção de que as conexões construídas por Vorcaro alcançaram os mais altos níveis do poder político brasileiro.
O principal desafio para Alcolumbre será demonstrar transparência e afastar dúvidas sobre sua relação com personagens centrais do escândalo. Em um ano eleitoral, qualquer associação ao caso Master tende a ganhar dimensão ainda maior dentro e fora do Congresso.