Lula recua e descarta estatal Terrabras, priorizando setor privado em minerais estratégicos

RICARDO STUCKERT/PR

O governo federal decidiu não avançar com a criação da estatal Terrabras. A medida marca uma mudança de estratégia e reforça a aposta no setor privado para explorar minerais críticos no Brasil.

A decisão foi tomada após reunião no Palácio do Alvorada.

Segundo relatos, a avaliação predominante no governo é que criar uma nova estatal “não é necessário neste momento” e poderia gerar entraves regulatórios e fiscais.

O movimento contraria parte da base governista.

A proposta da Terrabras vinha sendo defendida por setores do PT, que argumentavam que minerais estratégicos — como lítio, terras raras e níquel — deveriam ter maior controle estatal por seu peso na economia do futuro.

Esses recursos são considerados centrais.

Eles são usados em baterias, veículos elétricos, chips e tecnologias de energia limpa, áreas que estão no centro da disputa global entre grandes potências.

Apesar disso, o governo optou por outro caminho.

A estratégia agora é apoiar o modelo defendido pelo relator do projeto no Congresso, que prioriza:

  • atração de investimentos privados
  • estímulos regulatórios
  • fortalecimento da cadeia produtiva
  • agregação de valor dentro do país

A decisão também reflete divergências internas.

Dentro do próprio governo havia divisão entre:

  • ala favorável ao controle estatal
  • ala que defende abertura ao mercado

O resultado foi uma solução intermediária.

Sem estatal, mas com maior coordenação pública por meio de políticas e incentivos.

O contexto é global.

A demanda por minerais críticos cresce com a transição energética e a digitalização da economia.

Países como Estados Unidos, China e União Europeia já disputam acesso e controle dessas matérias-primas.

O Brasil entra nesse cenário com vantagem geológica.

O país possui grandes reservas, mas ainda enfrenta um problema estrutural:

exporta matéria-prima e captura pouco valor industrial.

A nova estratégia tenta corrigir isso.

Segundo integrantes do governo, o foco será:

  • ampliar pesquisa geológica
  • incentivar industrialização
  • garantir sustentabilidade na exploração

O impacto é direto.

Sem a Terrabras, o Brasil mantém o modelo baseado em empresas privadas e parcerias internacionais.

Isso pode acelerar investimentos.

Mas também levanta um debate.

Até que ponto o país consegue transformar riqueza mineral em desenvolvimento industrial sem maior controle estatal?

O dado central é a escolha de modelo.

O governo decidiu não criar uma estatal para liderar o setor.

E optou por um caminho mais alinhado ao mercado.

Em um momento em que minerais críticos se tornaram ativos estratégicos globais, essa decisão define como o Brasil vai disputar espaço nessa nova economia.

Com informações do G1

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