Uma equipe de pesquisadores poloneses revelou que resíduos endurecidos de banheiros romanos preservaram vestígios de parasitas humanos, oferecendo um retrato inédito da saúde e da higiene na Antiguidade.
O trabalho foi publicado na revista npj Science of Heritage e analisou depósitos mineralizados da antiga província romana da Mésia Inferior. Essa região corresponde ao norte da Bulgária de hoje.
Os cientistas identificaram ovos de tênias e protozoários diversos nas amostras examinadas. Detectaram ainda o parasita Cryptosporidium, responsável por infecções intestinais graves, conforme reportagem do Phys.org.
A descoberta demonstra que o micro-organismo já circulava no Mediterrâneo há cerca de 1.800 anos. O achado constitui uma das evidências mais antigas desse protozoário na Europa.
As amostras foram coletadas em Novae, próximo a Svishtov, e em Marcianópolis, atual cidade de Devnya. Os pesquisadores rasparam as crostas minerais formadas nas paredes e no fundo dos vasos sanitários de cerâmica.
O material coletado foi reidratado e filtrado em peneiras ultrafinas para exame laboratorial. Os cientistas o observaram em microscópio com ampliação de 400 vezes.
Como muitos parasitas têm morfologia semelhante, a equipe utilizou análise de DNA antigo e o teste ELISA. Essas técnicas confirmaram a presença de Cryptosporidium mesmo nos fragmentos mais degradados.
Os pesquisadores também identificaram a Entamoeba histolytica, que causa disenteria amebiana severa. Ovos de tênias foram associados ao consumo de carne crua ou malcozida de boi ou porco.
Os resultados indicam que os romanos da região sofriam de doenças intestinais recorrentes. Tais condições refletiam o estado rudimentar das práticas de saneamento e o uso de água contaminada.
Em Novae, as amostras mostraram alta carga de parasitas, sugerindo contaminação pela água do rio Danúbio. As amostras de Marcianópolis, vindas de uma oficina antiga, não apresentaram parasitas.
Os autores destacam o impulso recente da paleoparasitologia graças a avanços técnicos. A disciplina reconstrói o cotidiano de populações antigas e a trajetória de doenças infecciosas ao longo do tempo.
Entender o passado biológico ajuda a prevenir surtos modernos e a antecipar mutações de patógenos. A arqueologia científica se afirma como ferramenta essencial para mapear origens de doenças e impactos sanitários em civilizações antigas.
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