O cientista político norte-americano e professor da Universidade de Harvard, Stephen Walt, advertiu que uma guerra contra o Irã representaria um erro estratégico ainda mais grave do que a invasão do Iraque em 2003.
Em declarações reproduzidas pelo portal RT, Walt afirmou que é impossível prever todas as consequências de uma ofensiva militar contra Teerã. O acadêmico avaliou que o impacto seria muito mais devastador do que o observado após a queda de Saddam Hussein.
Walt destacou que a guerra no Iraque, embora trágica, não teve repercussões tão amplas sobre o restante do mundo quanto teria uma agressão à República Islâmica. Os sinais de deterioração econômica já são perceptíveis e tendem a se agravar caso o conflito se prolongue.
Para Walt, a economia da Europa, da Ásia e de países em desenvolvimento seria profundamente abalada, com risco real de uma recessão global. Ele também alertou para a possibilidade de uma crise alimentar, já que o bloqueio do estreito de Ormuz poderia interromper o fluxo de precursores de fertilizantes essenciais à agricultura mundial.
O estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta, por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado globalmente. Qualquer interrupção nesse corredor energético teria efeitos imediatos sobre os preços do petróleo, do gás e dos alimentos, ampliando o custo de vida e a instabilidade social em diversas regiões.
Walt advertiu que essa combinação de inflação e estagnação poderia levar a uma situação de estagflação em vários países. Uma guerra dessa escala lançaria sérias dúvidas sobre o julgamento e a competência dos Estados Unidos, especialmente após os resultados desastrosos das intervenções no Iraque, no Afeganistão e na Líbia.
Insistir em uma política de confronto direto contra o Irã apenas reforçaria a percepção global de que Washington não aprendeu com os erros do passado. As declarações de Walt surgem em um momento de crescente tensão entre Washington e Teerã, com o presidente dos EUA, Donald Trump, pressionando por uma postura mais agressiva.
A República Islâmica, por sua vez, tem reafirmado sua soberania e fortalecido sua posição de resistência diante das ameaças externas. O país conta com o apoio de aliados regionais e de potências que defendem uma ordem internacional multipolar.
Para o professor de Harvard, o risco de uma escalada militar no Golfo Pérsico deve ser encarado não apenas como um problema regional. Ele representa um desafio à estabilidade econômica e política mundial, com impactos duradouros sobre a segurança energética, o comércio internacional e a confiança nas instituições de governança global.
Com informações de ACTUALIDAD.
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