Cientistas brasileiros desenvolvem molécula com rutênio que acelera combate à malária

Silhueta de mosquito, vetor da malária, em fundo alaranjado. (Foto: metropoles.com)

Pesquisadores brasileiros deram um passo importante no combate à malária ao desenvolver uma nova molécula que promete agir mais rapidamente contra o parasita causador da doença.

O estudo foi publicado no Journal of Medicinal Chemistry e conduzido por cientistas de seis instituições nacionais. A pesquisa contou ainda com colaboração internacional da Universidade de Milão, na Itália.

Segundo o portal Metrópoles, a pesquisa partiu da atovaquona, medicamento já utilizado no tratamento da malária. O objetivo foi potencializar seu efeito por meio da adição de rutênio, um metal da mesma família do ferro.

A modificação estrutural resultou em compostos com ação mais ampla e veloz. Eles são capazes de atingir diferentes fases do ciclo do parasita.

Entre os autores está Pedro Marcon, formado pela Universidade de Brasília (UnB) e doutorando no Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP). Marcon explicou que o novo composto mostrou capacidade de eliminar rapidamente o Plasmodium, responsável pela infecção, e ainda apresentou potencial para bloquear a transmissão da doença entre humanos e mosquitos.

Os testes iniciais foram realizados em laboratório, onde os cientistas observaram que as moléculas com rutênio agiram tanto na fase sanguínea quanto na etapa de transmissão. Essa dupla atuação é considerada um avanço relevante, já que a maioria dos medicamentos disponíveis atua apenas em uma das fases do ciclo do parasita.

Em experimentos com camundongos, os resultados também foram positivos, com redução significativa da carga parasitária. Posteriormente, os pesquisadores analisaram amostras de sangue humano infectado e constataram que o composto conseguiu impedir a propagação da malária, reforçando sua eficácia potencial.

Um dos principais desafios no tratamento da malária é a resistência crescente do parasita aos medicamentos tradicionais. Com o tempo, as drogas perdem eficácia, obrigando o uso de doses maiores ou tornando-se ineficazes.

O estudo envolveu 14 pesquisadores, sendo 10 mulheres, e contou com a participação de instituições como a Fiocruz Bahia, a Fiocruz Amazônia e a Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado, em Manaus. Essa rede de cooperação científica reforça o protagonismo da ciência nacional em pesquisas biomédicas voltadas a doenças tropicais negligenciadas.

Os autores ressaltam que a descoberta ainda se encontra em fase inicial e que novas etapas de testes são necessárias antes de qualquer uso em humanos. Mesmo assim, o avanço demonstra o potencial da ciência nacional em desenvolver soluções inovadoras para problemas de saúde pública global, especialmente em regiões como a Amazônia, onde a malária ainda é endêmica.

Combinando inovação química e colaboração internacional, a pesquisa abre caminho para terapias mais rápidas e eficazes contra uma das doenças mais persistentes do planeta. O resultado reforça a importância de investimentos contínuos em ciência e tecnologia como pilares da soberania sanitária e do desenvolvimento nacional.


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