Cientistas do Instituto Indiano de Ciência desenvolveram uma técnica avançada de microscopia que revela a estrutura interna do núcleo de células cancerígenas com precisão nanométrica inédita.
A inovação permite visualizar simultaneamente até doze tipos diferentes de biomoléculas em altíssima resolução. O avanço abre novas possibilidades para o diagnóstico precoce de diversas doenças.
O estudo foi detalhado no portal phys.org. A equipe aprimorou o método conhecido como DNA-PAINT, que utiliza fragmentos fluorescentes de DNA.
Esses fragmentos se ligam temporariamente a proteínas e outras moléculas dentro da célula. Os sinais luminosos intermitentes emitidos sob iluminação a laser permitem reconstruir imagens de altíssima definição.
O professor assistente do Departamento de Bioquímica do Instituto Indiano de Ciência, Mahipal Ganji, atuou como autor correspondente do estudo. Ganji destacou que as técnicas tradicionais observavam apenas duas ou três moléculas por vez.
Os pesquisadores criaram marcadores para identificar até doze alvos de forma simultânea. Cinco desses marcadores apresentam ligações mais estáveis e resultam em imagens com detalhes de 3 a 5 nanômetros.
O doutorando Micky Anand trabalhou como coautor do trabalho científico. Anand explicou que observar múltiplas moléculas ao mesmo tempo é essencial para mapear a complexa organização do núcleo celular.
A velocidade do processo melhorou de forma significativa com a nova abordagem. Os cientistas agora mapeiam nove alvos em menos de quatro horas sem danificar as células analisadas.
A técnica também reduz a energia necessária do laser utilizado no processo de imagem. Essa redução diminui o risco de degradação tanto das amostras quanto dos marcadores de DNA.
O pesquisador Abhinav Banerjee, ex-aluno do IISc e atualmente pós-doutorando no Janelia Research Campus, participou da pesquisa. Banerjee afirmou que o método permite observar a reorganização de proteínas e biomoléculas quando a transcrição genética é interrompida.
Compreender essas mudanças estruturais auxilia na identificação de padrões associados a células doentes. Os cientistas podem agora mapear com precisão a distribuição de proteínas e ácidos nucleicos no núcleo.
O trabalho contribui para o desenvolvimento de terapias mais personalizadas contra o câncer. A capacidade de detectar desorganizações típicas facilita estratégias de prevenção e tratamento.
Leia também: Cientistas reprogramam células humanas e ampliam potência de partículas de edição genética
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