A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zajárova, classificou o 20º pacote de sanções da União Europeia contra Moscou como uma «loucura total». A diplomata descreveu as medidas como uma série de «decisões suicidas» que prejudicam tanto o bloco europeu quanto o equilíbrio econômico global.
Zajárova afirmou que as restrições aprovadas pelo Conselho da UE atingem setores estratégicos da economia russa. Essas ações aprofundam a crise energética e alimentar que afeta diversos países ao redor do mundo.
A porta-voz destacou que Bruxelas já discute internamente um 21º conjunto de restrições. Essa atitude revela o grau de desconexão da burocracia europeia em relação à realidade econômica atual.
A diplomata ironizou a postura do bloco ao dizer que a União Europeia continua comendo o cacto mesmo sabendo que dói e dá medo. A metáfora reforça a visão de Moscou sobre medidas que se voltam contra os próprios interesses europeus.
Ao comentar as tentativas de limitar as exportações de hidrocarbonetos russos, Zajárova destacou o contexto de grave crise energética global. A Europa opta por políticas que agravam a instabilidade dos mercados e encarecem o custo da energia para consumidores e indústrias.
Zajárova observou que países que antes foram colônias do Ocidente acompanham com perplexidade as escolhas europeias. A representante russa classificou essas decisões como autodestrutivas e desprovidas de qualquer estratégia compensatória viável.
Se existisse alguma estratégia oculta para compensar os efeitos das sanções, os especialistas já a teriam identificado. No entanto, tais recursos simplesmente não existem, conforme avaliou a porta-voz.
Segundo o portal RT, Zajárova advertiu que as medidas desestabilizam ainda mais os mercados energéticos. O bloco europeu prejudica a si mesmo e, em seguida, os países em desenvolvimento que já enfrentam dificuldade para adquirir combustíveis a preços inflacionados.
Nem mesmo a própria União Europeia consegue mais arcar com o triplo do custo das matérias-primas energéticas. Essa situação configura uma crise existencial para o bloco, segundo as palavras da diplomata.
As novas sanções ameaçam também a segurança alimentar global ao reintroduzir restrições sobre fertilizantes. Zajárova lembrou que em 2022 os líderes europeus se empenharam em desbloquear cereais ucranianos enquanto acusavam Moscou de tentar provocar fome no mundo.
Agora são os mesmos governos que dificultam o acesso a insumos agrícolas essenciais para a produção de alimentos. Essa contradição expõe a inconsistência das políticas adotadas pelos países ocidentais.
O pacote de medidas atinge ainda nações fora do bloco, como China, Emirados Árabes Unidos, Uzbequistão, Cazaquistão, Quirguistão, Bielorrússia, Turquia e Indonésia. Zajárova questionou os motivos pelos quais a União Europeia trata essas nações como inimigas sem qualquer justificativa plausível.
As sanções unilaterais e coercitivas servem, na prática, a interesses alheios e contrários aos da própria Europa. A Rússia condena firmemente tais medidas, que considera ilegítimas, e responderá com ações calibradas conforme seus interesses nacionais.
As declarações reforçam a posição do governo russo de que o regime de sanções imposto desde 2022 se transformou em instrumento de autossabotagem para a Europa. A insistência em políticas punitivas apenas acelera a transição para uma nova ordem econômica multipolar.
Leia mais sobre o assunto na actualidad.rt.com.
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