Atlas/Intel prepara nova pesquisa presidencial com 5 mil entrevistas e foco na aprovação de Lula

O presidente Lula participa da Segunda Sessão Temática da Mesa de Líderes sobre Transição Energética. (Foto: Wikimedia Commons)

A próxima rodada da pesquisa Atlas/Intel sobre a sucessão presidencial de 2026 promete reorganizar o tabuleiro político com base em dados robustos. O levantamento, registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o código BR-07992/2026, vai ouvir 5.000 eleitores a partir de 16 anos em todo o país, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, segundo informou o Valor Econômico.

O questionário, composto por 66 perguntas, abre com a avaliação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), além de medir o desempenho dos governadores e prefeitos. A pesquisa também examina a imagem de figuras de destaque nacional como o senador Davi Alcolumbre (União-AP), o deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), a socióloga Janja Lula da Silva e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O reflexo de 2022

O primeiro cenário testado repete o quadro da eleição de 2022, com Lula e Bolsonaro na disputa direta. A Atlas/Intel ainda simula três variações: uma com sete presidenciáveis, incluindo Aldo Rebelo, Augusto Cury (Avante), Flávio Bolsonaro (PL), Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e o próprio Lula; outra mais ampla, que adiciona nomes da esquerda e da direita periférica, como Cabo Daciolo (Mobiliza), Ciro Gomes (PSDB), Edmilson Costa (PCB), Hertz Dias (PSTU), Rui Costa Pimenta (PCO) e Samara Martins (UP); e uma quarta em que Lula é substituído pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT).

Esses cenários refletem a tentativa de medir tanto a força do lulismo quanto a elasticidade do campo progressista frente à fragmentação da direita. O teste com Haddad é particularmente relevante, pois sinaliza o interesse em avaliar o potencial de transferência de votos dentro do PT, fenômeno já observado em 2022, quando Lula impulsionou candidaturas estaduais vitoriosas no Nordeste e Sudeste.

A matemática das alianças

O levantamento também projeta sete cenários de segundo turno, incluindo confrontos entre Lula e Flávio Bolsonaro, Lula e Zema, Lula e Caiado, e Lula e Renan Santos, além de duelos de substituição com Haddad e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) contra Flávio Bolsonaro. Essa modelagem permite medir a resiliência do eleitorado lulista diante da polarização e a capacidade da direita de se reorganizar em torno de novos nomes após o enfraquecimento político do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Na última pesquisa Atlas/Intel, divulgada em março de 2026, Lula apareceu com 45,9% das intenções de voto, contra 40,1% de Flávio Bolsonaro. Renan Santos marcou 4,4%, Ronaldo Caiado 3,7%, Romeu Zema 3,1% e Aldo Rebelo 0,6%, enquanto 1,9% declararam voto branco ou nulo e 0,3% não souberam responder. Em simulações de segundo turno, os números ficaram dentro da margem de erro: Lula com 46,6% e Flávio Bolsonaro com 47,6%.

Por que isso importa

Apesar de a última rodada ter mostrado um empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro, o histórico da Atlas/Intel indica estabilidade do presidente dentro da margem de erro. Segundo relatório metodológico divulgado pelo instituto após as eleições de 2022, a empresa foi uma das que melhor captaram o crescimento de Lula no segundo turno, embora tenha registrado variação maior em áreas de predominância evangélica e rural, o que reforça a importância de leitura contextualizada dos dados.

Além disso, a pesquisa deste ano ocorre num ambiente político redesenhado pela força municipal do PT e aliados após as eleições de 2024. O partido consolidou presença em 22 das 96 maiores cidades do país (G96), ampliando o controle de prefeituras estratégicas no Nordeste e Sudeste, o que garante palanques e estrutura de base para 2026. Essa rede é decisiva para a mobilização territorial e o uso eficiente do Fundo Eleitoral, que deve ultrapassar R$ 5 bilhões no próximo pleito.

Os temas em disputa

O questionário da Atlas/Intel também mede a percepção do eleitor sobre políticas de governo, como o Novo PAC, o reajuste do salário mínimo e o programa Pé-de-Meia. Além disso, investiga temas morais e identitários, como a legalização do aborto, cotas raciais e identidade de gênero, pontos que historicamente funcionam como marcadores de clivagem entre o eleitorado progressista e o conservador.

Esses recortes ajudam a entender a correlação de forças que moldará a disputa de 2026. A direita tenta se reinventar com Flávio Bolsonaro e Romeu Zema, enquanto o campo progressista aposta em Lula, Haddad e Alckmin como eixos de continuidade e estabilidade institucional. O resultado da nova pesquisa, previsto para a próxima semana, será um termômetro da capacidade de cada bloco em mobilizar suas bases e disputar o centro político.

Em um cenário de polarização controlada e economia em recuperação, a aprovação do governo Lula, segundo a última medição da Atlas/Intel divulgada em março, ficou em 52% de avaliação positiva. Esse indicador tende a ser o fator decisivo para a manutenção da vantagem petista. A Atlas/Intel, com metodologia via web e alcance nacional, deve oferecer um retrato detalhado dessa dinâmica, ajudando a calibrar o debate sobre o futuro da democracia brasileira.


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