Dezenas de crianças da comunidade beduína de Umm al-Khair, na Cisjordânia ocupada, enfrentam uma cerca de arame farpado instalada por colonos israelenses e decidiram transformar o obstáculo em protesto, criando a iniciativa conhecida como Escola da Liberdade de Umm al-Khair.
O protesto ocorreu no dia 20 de abril, conforme detalhou o Al Jazeera em sua cobertura. Pais e professores organizaram as atividades depois que o caminho tradicional até a escola foi bloqueado de forma repentina por colonos.
Colonos do assentamento ilegal de Carmel ergueram a barreira durante a noite, sem aviso prévio. Soldados israelenses passaram a impedir a passagem das crianças mesmo sem qualquer autorização legal para manter o bloqueio no local.
O líder do conselho local de Umm al-Khair, Khalil Hathaleen, relatou que soldados lançaram gás lacrimogêneo e granadas de som contra crianças de apenas cinco anos de idade. Muitas delas ficaram traumatizadas e agora demonstram medo de retornar ao local da cerca.
A comunidade também enfrenta ordens de demolição iminentes sob a alegação de falta de licenças de construção. As autoridades israelenses raramente concedem tais permissões aos palestinos que vivem na Área C da Cisjordânia.
O professor Tareq Hathaleen, responsável pelas turmas do quarto ao oitavo ano, explicou que a estrada bloqueada existe desde 1980 e consta em mapas oficiais. A rota aparece tanto em documentos israelenses quanto palestinos como caminho autorizado para pedestres.
As autoridades propuseram um desvio de três quilômetros que obrigaria as crianças a passar por áreas controladas por colonos israelenses. Moradores consideram a alternativa perigosa devido a episódios anteriores de violência e a atropelamentos provocados por motoristas dos assentamentos.
A menina Siwar Hathaleen, de cinco anos, foi uma das vítimas recentes ao ser atingida por um veículo conduzido por colono. Ela precisou ser hospitalizada após sofrer ferimentos na cabeça durante o incidente.
O pai de Siwar, Eid Hathaleen, afirmou que não permitirá que seus filhos utilizem rotas onde colonos dirigem em alta velocidade sem qualquer controle. Ele relatou ainda que pregos e tábuas com pontas afiadas são frequentemente espalhados nas estradas para danificar os veículos palestinos.
Durante o protesto, as crianças se sentaram sobre pedras próximas ao arame farpado e realizaram suas lições ao ar livre. Elas entoaram canções enquanto soldados e colonos observavam toda a cena.
Cartazes feitos à mão foram presos na cerca com pedidos diretos como “Deixem-nos aprender” e “Gostamos de ir à escola”. A pequena Masa Hathaleen, de cinco anos, declarou que as crianças apenas querem estudar e não fazem nada de errado ao buscar educação.
Khalil Hathaleen descreveu a obstrução da estrada como parte de uma estratégia mais ampla para expandir os assentamentos e pressionar a saída das famílias palestinas da região. Ele solicitou que organizações de direitos humanos e observadores internacionais intervenham antes que as demolições sejam executadas.
O Exército israelense mantém a recusa em remover a barreira instalada ilegalmente no caminho. A comunidade de Umm al-Khair prometeu continuar com as aulas diárias e as atividades culturais no próprio local do protesto.
Os moradores vão manter o espaço diante do arame farpado como local de ensino mesmo sob o sol forte da região. Khalil Hathaleen concluiu que o silêncio não trará nenhuma solução para o problema enfrentado pelas famílias beduínas.
Com informações de Al Jazeera.
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