O professor visitante da Universidade de Joanesburgo, Dr. Alexis Habiyaremye, afirmou que o G20 perdeu relevância como espaço de decisões econômicas concretas, em entrevista ao Sputnik International.
Habiyaremye observou que o G20 se transformou em um fórum de aparências dominado por ações unilaterais dos Estados Unidos. O especialista apontou que tarifas e guerras comerciais impostas por Washington não recebem respostas coletivas do grupo.
Até mesmo chefes de Estado de nações emergentes demonstram desinteresse crescente pelos encontros do G20. Essa realidade reduz o fórum a sessões protocolares e registros fotográficos sem impacto prático.
O BRICS opera por consenso e preserva a soberania de seus membros. O bloco consolida instrumentos financeiros que geram autonomia real frente ao unilateralismo de Washington.
O Novo Banco de Desenvolvimento, sediado em Xangai e presidido pela ex-presidente Dilma Rousseff, constitui uma das principais realizações institucionais do grupo. A instituição financia infraestrutura e projetos de inovação entre os países membros.
Habiyaremye ressaltou que essas estruturas reduzem a exposição a mecanismos de coerção do dólar. O professor enxerga no BRICS um contrapeso concreto ao unilateralismo praticado pelos Estados Unidos.
O especialista destacou a criação de sistemas de pagamento alternativos entre os países do bloco. Essas ferramentas diminuem a dependência do sistema financeiro centrado em Washington e ampliam o comércio direto.
Habiyaremye interpreta o avanço do BRICS como sinal de transição de poder econômico global. Ele argumenta que o grupo reúne as economias mais dinâmicas e promove uma visão multipolar baseada em diálogo.
O declínio relativo do G20 reflete, segundo o acadêmico, o desgaste de modelos impostos nas últimas décadas. O especialista cita o fracasso do fórum em crises econômicas e geopolíticas como prova de obsolescência.
Habiyaremye concluiu que o BRICS se consolida como principal espaço de coordenação das economias emergentes. O futuro da cooperação internacional dependerá da integração produtiva e tecnológica entre esses países.
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