Irã reabre estreito de Ormuz sob condições e ameaça novo bloqueio se pressão dos EUA persistir

Ilustração editorial sobre Irã reabre estreito de Ormuz sob condições e ameaça novo bloqueio se pressão dos EUA persistir. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

O Irã anunciou a reabertura do estreito de Ormuz sob condições rigorosas, no contexto do conflito com os Estados Unidos, e mantém a ameaça de novo fechamento caso a pressão americana persista.

Segundo o Al Jazeera, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que a via permanece aberta a embarcações comerciais que sigam rotas coordenadas. Navios militares dos Estados Unidos e de Israel estão proibidos de transitar pela área estratégica para o fluxo de petróleo do Golfo Pérsico.

Araghchi reiterou que o Irã não transferirá seu estoque de urânio enriquecido. O chanceler iraniano defendeu a soberania nuclear do país como questão inegociável perante qualquer pressão externa.

O porta-voz do comitê de segurança iraniano, Ebrahim Rezaei, anunciou a elaboração de uma legislação para cobrar taxas de segurança das embarcações. Essa iniciativa substitui as tarifas tradicionais e tem o objetivo de financiar a proteção marítima na região.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que as negociações com o Irã registram avanços sem pontos de impasse. Ele insistiu, porém, na manutenção do bloqueio até a conclusão total de um acordo.

Essa combinação de discurso negociador e ações militares revela contradições profundas na política externa americana. A persistência do bloqueio naval gera críticas crescentes sobre a coerência da estratégia de Washington.

O presidente do Líbano, Joseph Aoun, sinalizou que seu país ingressa em uma nova fase de estabilidade após o cessar-fogo com Israel. Ele ressaltou que o território libanês não pode mais funcionar como arena para conflitos de terceiros.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que a campanha militar contra o Hezbollah ainda não terminou. Sua posição contrasta com relatos de que Trump teria vetado a continuação dos ataques no Líbano.

O ministro das Finanças da Arábia Saudita, Mohammed Al-Jadaan, saudou a reabertura do estreito de Ormuz. Ele advertiu que a recuperação econômica regional continua frágil e varia conforme o nível de danos em cada país.

O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, revelou que França e Reino Unido comandarão uma missão multinacional para garantir a liberdade de navegação. Trump mencionou que o presidente da China, Xi Jinping, apoiou a medida e indicou a possibilidade de uma visita a Pequim.

Em Sanaa, capital do Iêmen, milhares de apoiadores dos Houthis protestaram em solidariedade ao Líbano. O movimento alertou para uma possível intervenção caso o Irã sofra um ataque direto.

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos prorrogou até 16 de maio a permissão para compras de petróleo russo. A medida busca estabilizar o mercado global afetado pelas perturbações no fornecimento de energia.

O anúncio da reabertura provocou queda nos preços internacionais do petróleo. O recuo nos valores do barril de Brent reflete as expectativas de maior fluidez no transporte marítimo.

O analista Rami Khouri interpretou o conflito como uma luta contra o domínio ocidental no Oriente Médio. Ele apontou o sul do Líbano como um símbolo da resistência contemporânea.

Os desdobramentos no estreito de Ormuz alteram o equilíbrio de forças na região. A firmeza da República Islâmica, combinada com aberturas diplomáticas, consolida o papel de Teerã como peça central na construção de uma ordem multipolar.

Com informações de Al Jazeera.


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