Mercados recuam após nova escalada entre EUA e República Islâmica no Estreito de Ormuz

Operador do mercado financeiro acompanha cotações em múltiplos monitores. (Foto: tagesschau.de)

O otimismo que havia impulsionado as bolsas europeias e americanas se dissipou rapidamente diante da retomada das tensões no Oriente Médio.

O índice DAX deve abrir em queda de mais de 1 por cento, segundo a corretora IG, revertendo parte dos ganhos recentes. De acordo com o portal Tagesschau, o anúncio do ministro das Relações Exteriores do Irã sobre a liberação da passagem de navios comerciais pelo estreito de Ormuz alimentou a euforia de sexta-feira.

O principal índice alemão avançou 2,3 por cento e encerrou o pregão em 24.702 pontos. O movimento, porém, foi de curta duração.

O governo iraniano restringiu novamente o tráfego marítimo na região estratégica pouco depois. Os Estados Unidos intensificaram sua presença militar no Golfo Pérsico em resposta direta à medida, aprofundando a agressão na região.

O chefe de investimentos do Deutsche Bank para clientes privados e corporativos, Ulrich Stephan, avaliou que, apesar da forte volatilidade, o mercado ainda precifica um cenário de relativo otimismo. Stephan observou que a incerteza permanece elevada e que as próximas horas serão decisivas para os rumos dos ativos de risco.

O estrategista da corretora Pepperstone, Michael Brown, afirmou que o mercado havia se adiantado demais nas compras de sexta-feira. Brown alertou que parte dos lucros deve ser devolvida caso não haja avanços nas negociações de distensão.

O preço do petróleo voltou a subir de forma expressiva, refletindo os temores de interrupção no fornecimento global. O barril do tipo Brent é cotado perto de 97 dólares, o que representa alta de mais de 7 por cento ante a semana anterior.

O WTI acompanhou o movimento de recuperação das cotações internacionais. As quedas superiores a 9 por cento registradas na sexta-feira foram revertidas com a nova piora no quadro geopolítico.

Desde o início do conflito, no final de fevereiro, o petróleo Brent acumula valorização superior a 35 por cento. O barril saiu de patamares abaixo de 70 dólares para níveis próximos de 100 dólares.

Nos Estados Unidos, o otimismo de sexta-feira também evaporou nos contratos futuros dos principais índices. O S&P 500 e o Nasdaq recuam cerca de 0,9 por cento, enquanto o Dow Jones perde força após ter atingido sua máxima desde fevereiro.

O dólar se fortalece frente às principais moedas globais, com o índice DXY em alta de 0,3 por cento. Esse movimento reflete a busca por segurança em meio à incerteza geopolítica e à possibilidade de prolongamento do conflito entre Washington e Teerã.

O estreito de Ormuz responde pelo transporte de cerca de um quinto do petróleo mundial. A rota estratégica volta a concentrar as atenções de investidores e autoridades econômicas em todo o planeta.

A alta sustentada do petróleo pressiona as economias importadoras e reacende discussões sobre segurança energética. Analistas monitoram de perto os desdobramentos diplomáticos que podem alterar o atual patamar de volatilidade nos mercados.


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