A Coreia do Norte lançou vários mísseis balísticos de curto alcance em direção ao mar do Leste, também conhecido como mar do Japão, intensificando a pressão militar sobre a península coreana. O Estado-Maior Conjunto da Coreia do Sul informou que os projéteis foram disparados da região de Sinpo e percorreram aproximadamente 140 quilômetros antes de caírem no mar.
Conforme reportagem da RFI, este foi o sexto teste balístico conhecido realizado por Pyongyang desde o início do ano. Os lançamentos representam um desafio às resoluções do Conselho de Segurança da ONU que proíbem o desenvolvimento e o uso de mísseis desse tipo.
As forças de inteligência sul-coreanas e norte-americanas iniciaram a análise das características técnicas dos projéteis. Seul prometeu responder de forma ‘esmagadora’ a qualquer nova provocação.
A presidência sul-coreana convocou uma reunião de emergência de segurança nacional logo após os disparos, reforçando o estado de alerta que domina a região. O episódio ocorre semanas depois de uma série de testes em que Pyongyang também lançou mísseis balísticos e outros sistemas de armas, conforme relatado pela agência estatal norte-coreana KCNA.
Em movimento paralelo, a KCNA informou que o líder norte-coreano Kim Jong Un supervisionou pessoalmente o lançamento de mísseis de cruzeiro a partir de um destróier no mar Amarelo. Embora os mísseis de cruzeiro não sejam abrangidos pelas sanções da ONU, os testes evidenciam o avanço tecnológico de Pyongyang em sistemas de ataque de precisão e em capacidade de projeção naval.
O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, alertou para um ‘aumento muito preocupante’ das capacidades nucleares da Coreia do Norte, estimando que o país possa possuir algumas dezenas de ogivas. A advertência reacende o debate sobre a eficácia das sanções internacionais e o papel das potências regionais — China, Rússia, Japão e Estados Unidos — na contenção da escalada armamentista.
As relações intercoreanas seguem em um dos pontos mais baixos dos últimos anos, em meio à crise institucional que abalou Seul após o impeachment do ex-presidente Yoon Suk-yeol. Kim Yo-jong, irmã de Kim Jong Un e figura de peso no aparato de poder norte-coreano, chegou a elogiar gestos de aproximação vindos do sul, mas um alto funcionário de Pyongyang voltou a classificar a Coreia do Sul como o ‘Estado inimigo mais hostil’, enterrando qualquer expectativa de distensão no curto prazo.
Para o governo norte-coreano, o desenvolvimento de armas nucleares e de mísseis balísticos representa uma garantia de sobrevivência diante do que Pyongyang descreve como ameaça permanente de invasão por parte dos Estados Unidos e de seus aliados na região. Essa narrativa de autodefesa sustenta politicamente cada novo teste e torna qualquer negociação de desarmamento uma equação de difícil solução.
O contexto regional é agravado pela presença contínua de forças militares norte-americanas na Coreia do Sul e pelos exercícios conjuntos realizados periodicamente entre Washington e Seul, que Pyongyang interpreta como ensaios de ataque. A cada novo lançamento, o ciclo de provocação e retaliação simbólica se repete, sem que nenhuma das partes demonstre disposição real para romper o impasse.
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