Quais setores serão mais impactados pela automação nos próximos dez anos? Essa pergunta é frequente nos círculos de debate sobre o avanço acelerado da inteligência artificial. Bill Gates destacou três áreas que devem não só resistir, mas até mesmo prosperar nesse novo paradigma: a biociência, o desenvolvimento da própria IA e, com especial destaque, o setor de energias alternativas. A Série Energia vai atrás de explicações para entender que no campo da energia a complexidade técnica e regulatória envolve a substituição da matriz fóssil por fontes limpas.
O professor Fernando de Lima Caneppele, da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da USP em Pirassununga (SP), diz que a transição energética exige mais do que o processamento de dados que uma máquina pode realizar. “Ela demanda inovação em engenharia e uma capacidade de adaptação que a IA ainda não replica.”
Caneppele concorda com o que Gates ressalta: embora as fontes solar e eólica sejam fundamentais, a busca por sistemas confiáveis e constantes, como a energia nuclear de quarta geração e o hidrogênio de baixo carbono, depende de avanços científicos que surgem da intuição e do pensamento crítico humano. “O que mostra que, além da parte técnica, o fator humano surge como aspecto determinante na formação de mão de obra qualificada. A criação de uma nova cadeia industrial exige a estruturação de currículos e o treinamento de especialistas que entendam a intermitência dos sistemas.”
Fonte: Jornal da USP