A China barrou a aquisição de US$ 2 bilhões da startup Manus pela Meta, movimento que expõe as tensões em torno do controle sobre tecnologias de inteligência artificial e soberania digital, conforme relatou o TechCrunch.
A Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, o principal órgão econômico do país, ordenou que a Meta e a Manus desfaçam o acordo. A decisão atinge diretamente o plano de Mark Zuckerberg de dominar o setor de “agentes de IA”, sistemas capazes de executar tarefas de forma autônoma.
A Manus foi fundada em 2022 por engenheiros chineses e transferiu sua sede para Cingapura antes da compra pela Meta, anunciada no fim de 2025. Mesmo assim, Pequim classificou o investimento estrangeiro como proibido e impôs restrições aos fundadores, que estariam impedidos de deixar o território chinês.
O caso marca uma intervenção inédita da China num negócio transnacional de tecnologia e ecoa o movimento global por autonomia computacional. Ao proteger ativos estratégicos de IA, o governo sinaliza que pretende evitar a captura de talentos e modelos por conglomerados ocidentais.
Enquanto os EUA apostam na expansão ilimitada de big techs, a Ásia e o Sul Global reforçam seu próprio ecossistema de pesquisa. Modelos como o DeepSeek e o Qwen, desenvolvidos na China, ganham força ao lado de iniciativas abertas e locais que buscam reduzir dependência de chips e softwares norte-americanos.
A disputa pelo controle da IA deixa de ser apenas comercial. Ela define quem orientará a próxima infraestrutura cognitiva do planeta — e qual bloco terá poder sobre os algoritmos que moldarão a economia digital das próximas décadas.
Leia também: O ‘pulo do gato’ da China para superar os EUA na corrida das IAs
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