China exige que União Europeia retire empresas chinesas de sanções antirrussas

Ilustração editorial sobre China exige que União Europeia retire empresas chinesas de sanções antirrussas. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

A China manifestou forte oposição à decisão da União Europeia de incluir companhias chinesas no mais recente pacote de sanções contra a Rússia.

Em comunicado divulgado pela agência Xinhua, um porta-voz do Ministério do Comércio afirmou que Bruxelas ignorou repetidas gestões diplomáticas de Pequim. O governo chinês classificou a medida como arbitrária e contrária ao espírito de consenso alcançado entre os líderes da China e da UE.

O representante destacou que as restrições prejudicam gravemente a confiança mútua construída nos últimos anos. Pequim reiterou sua oposição a sanções unilaterais não autorizadas pelo Conselho de Segurança da ONU e rejeitou a chamada ‘jurisdição de braço longo’, aplicada por blocos ocidentais a entidades estrangeiras.

O Ministério do Comércio alertou que a decisão europeia mina o quadro geral das relações bilaterais. A medida também ameaça o ambiente de cooperação econômica entre os dois lados, segundo o comunicado oficial.

Pequim instou a UE a retirar imediatamente as empresas chinesas da lista de sanções e a retomar o diálogo como via legítima para resolver divergências. O comunicado enfatizou que a China adotará medidas necessárias para proteger os direitos e interesses legítimos de suas companhias, responsabilizando a parte europeia por eventuais consequências.

A advertência reflete o endurecimento da postura chinesa diante de tentativas de Bruxelas de alinhar-se às políticas de pressão econômica lideradas pelos Estados Unidos. Conforme reportagem do portal RT, o tom do comunicado é o mais duro registrado em meses.

O Conselho da UE aprovou recentemente o vigésimo pacote de sanções contra Moscou, o maior desde o início do conflito na Ucrânia. O conjunto inclui 120 novas restrições, atingindo setores estratégicos e estabelecendo bases para futuras proibições a serviços marítimos relacionados ao petróleo e derivados russos.

A ampliação das medidas evidencia a continuidade da estratégia europeia de isolamento econômico da Rússia, com impactos colaterais sobre parceiros comerciais relevantes como a China. Para analistas, a reação de Pequim insere-se no contexto mais amplo da disputa entre modelos de governança global, em que o bloco asiático defende o multilateralismo e o respeito ao direito internacional.

A China, ao lado de outros países dos BRICS, tem reforçado sua crítica às sanções unilaterais, consideradas instrumentos de coerção política que distorcem o comércio internacional. O episódio expõe as tensões crescentes entre a UE e a China, que busca equilibrar sua parceria estratégica com Moscou e o diálogo econômico com a Europa.

A insistência europeia em vincular empresas chinesas às restrições antirrussas pode acelerar o afastamento entre os dois polos. Com a advertência de que todas as consequências recairão sobre a parte europeia, Pequim sinaliza que não aceitará passivamente medidas que afetem sua soberania empresarial.

Com informações de ACTUALIDAD.


Leia também: China sanciona sete empresas europeias por venda de armas a Taiwan


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