Cientistas revelam: seus olhos vieram de um ancestral ‘ciclope’ de 600 milhões de anos

Ilustração editorial sobre Cientistas revelam: seus olhos vieram de um ancestral 'ciclope' de 600 milhões de anos. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

Um estudo revolucionário publicado por pesquisadores da Universidade de Lund, na Suécia, e da Universidade de Sussex, no Reino Unido, desvendou a origem surpreendente dos olhos humanos — e ela remonta a um ancestral parecido com um ‘ciclope’ que viveu há cerca de 600 milhões de anos. Segundo os cientistas, todos os vertebrados, incluindo os seres humanos, herdaram sua visão de um pequeno organismo com um único olho central, posicionado no topo da cabeça, que evoluiu de forma inesperada ao longo das eras.

O professor emérito em biologia sensorial da Universidade de Lund, Dan-E Nilsson, classificou os resultados como ‘uma surpresa que vira de cabeça para baixo nossa compreensão sobre a evolução dos olhos e do cérebro’. A pesquisa, publicada na revista Current Biology em 2026, demonstra que esse ancestral primitivo, semelhante a um verme, perdeu seus olhos originais ao adotar um estilo de vida sedentário, mas manteve um aglomerado de células sensíveis à luz no centro da cabeça.

Esse aglomerado celular deu origem a um ‘olho mediano’, uma estrutura simples capaz de detectar luz e escuridão, essencial para orientação. Com o tempo, quando o organismo voltou a se tornar mais ativo, partes desse olho mediano se transformaram nos olhos pares que conhecemos hoje, capazes de formar imagens. A descoberta, detalhada no portal ScienceDaily, explica por que os olhos dos vertebrados são radicalmente diferentes dos de outros animais, como insetos e lulas.

Enquanto os olhos dos vertebrados se desenvolvem a partir do cérebro — com a retina sendo uma extensão desse órgão —, os olhos de insetos e cefalópodes surgem de tecidos superficiais do corpo. Nilsson destaca que essa diferença fundamental é resultado de um ‘desvio evolutivo incomum’, no qual a visão dos vertebrados foi reconstruída a partir de uma estrutura mediana após a perda dos olhos originais.

Os pesquisadores chegaram a essas conclusões após comparar células sensíveis à luz em diferentes grupos animais, analisando sua estrutura e localização no corpo. Além de esclarecer a origem dos olhos, o estudo também revelou a origem dos circuitos neurais que processam imagens na retina, algo que até então permanecia um mistério para a ciência.

Mas a descoberta mais fascinante talvez seja o legado vivo desse ancestral ciclope: a glândula pineal, uma pequena estrutura no cérebro humano que ainda conserva traços daquela antiga sensibilidade à luz. A pineal é responsável pela produção de melatonina, o hormônio que regula o ciclo circadiano e o sono. ‘É impressionante pensar que nossa capacidade de regular o sono de acordo com a luz vem desse olho mediano ciclope de um ancestral distante’, afirmou Nilsson.

A pesquisa não apenas reescreve a história evolutiva dos olhos, mas também reforça como estruturas antigas podem ser reaproveitadas de maneiras surpreendentes. O que começou como um simples sensor de luz em um organismo primitivo se transformou em um dos sistemas mais complexos e essenciais para a sobrevivência dos vertebrados — incluindo os humanos.


📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho

Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.

Redação:
Related Post

Privacidade e cookies: Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com seu uso.