Inteligência artificial identifica genomas da gripe aviária com maior risco de adaptação a mamíferos

Ilustração editorial sobre Inteligência artificial identifica genomas da gripe aviária com maior risco de adaptação a mamíferos. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

Pesquisadores da Universidade de Hong Kong desenvolveram um classificador de aprendizado de máquina que prevê com precisão quais variantes do vírus da gripe aviária apresentam maior risco de adaptação e transmissão entre mamíferos. O estudo publicado na revista Nature Microbiology marca um avanço relevante na vigilância epidemiológica e no preparo para pandemias futuras.

De acordo com o portal Phys.org a equipe liderada pelo professor Tommy Lam Tsan-yuk da Faculdade de Medicina LKS da Universidade de Hong Kong analisou extensos conjuntos de dados genéticos de vírus influenza A. Os pesquisadores constataram que a redução no conteúdo de guanina e citosina no genoma viral correlaciona-se diretamente com o aumento do risco de disseminação interestadual.

Os vírus influenza A são comuns em aves mas ocasionalmente infectam mamíferos e humanos. Quando uma cepa aviária ganha capacidade de transmissão sustentada entre pessoas o risco de pandemia de gripe cresce substancialmente.

A pesquisa identifica o baixo conteúdo de G e C como marcador genômico chave dessa adaptação. Os autores defendem a incorporação dessa assinatura aos modelos de avaliação de risco pandêmico atuais.

O professor Lam destacou o aumento das infecções esporádicas desde 2021 como fator de alerta. A ferramenta de inteligência artificial permite identificar precocemente cepas com potencial de causar surtos em populações humanas.

A análise revelou dois grandes grupos de vírus influenza A ao longo da evolução. Um grupo circula principalmente em aves enquanto o outro já se adaptou à transmissão sustentada em mamíferos.

As linhagens H5 do clado 2.3.4.4b estão entre as de maior risco mapeado pelo modelo. Essas cepas altamente patogênicas infectaram visons raposas gado leiteiro e humanos em diferentes regiões do planeta.

O classificador desenvolvido pela equipe de Hong Kong utiliza apenas o conteúdo genético para calcular probabilidades de transmissão mamífera. Essa abordagem integra biologia molecular e inteligência artificial de forma inovadora.

Especialistas recomendam que agências sanitárias internacionais adotem esse tipo de tecnologia em seus protocolos de vigilância. A circulação crescente de variantes H5 em vários continentes aumenta a necessidade de ferramentas preditivas mais eficazes.

O estudo intitulado Genomic features associated with sustained mammalian transmission of avian influenza A viruses foi liderado por Yongtao Ye e colaboradores da Universidade de Hong Kong. A contribuição reforça o papel de vanguarda da ciência asiática na prevenção de ameaças infecciosas globais.


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