Pesquisadores cobram aceleração urgente da transição energética na Alemanha

Silhueta de uma turbina eólica e árvores ao pôr do sol. (Foto: tagesschau.de)

A Alemanha precisa acelerar drasticamente sua transição energética para atingir a neutralidade climática até 2045 — e os setores de transporte e edifícios representam os principais obstáculos ao progresso da Energiewende.

O co-diretor do Instituto Wuppertal para Clima, Meio Ambiente e Energia, Oliver Wagner, fez o alerta conforme reportagem do Tagesschau. Embora o setor elétrico tenha superado 60% de geração por fontes renováveis em 2025, o país ainda precisa eletrificar o transporte e substituir sistemas de aquecimento a óleo e gás de forma mais agressiva.

Wagner observou que o progresso visível perdeu ímpeto exatamente nas áreas mais críticas para o cumprimento das metas climáticas. As emissões de gases de efeito estufa registraram queda em 2025, porém em velocidade inferior à dos anos anteriores.

Essa desaceleração preocupa os especialistas que acompanham o desenvolvimento da política climática alemã. A mobilidade sustentável continua distante dos patamares exigidos e demanda investimentos robustos em infraestrutura para veículos elétricos e transporte coletivo.

A transição no setor de aquecimento residencial surge como uma das tarefas mais árduas, exigindo prazos longos aliados a incentivos governamentais eficientes. Levantamento realizado com 200 pesquisadores do programa Energiewende e Sociedade, ligado ao Ministério Federal da Economia e Energia, enfatizou a necessidade de modernizar a rede elétrica para integrar o volume crescente de energia renovável.

Os cientistas defenderam a inclusão de famílias de baixa renda no processo, o reforço aos investimentos climáticos de longo prazo e a redução de tensões geopolíticas que interferem no suprimento energético. A alta nos preços dos combustíveis e as crises internacionais não provocam automaticamente a aceleração da transição energética.

Muitos especialistas condenam o subsídio aos combustíveis fósseis conhecido como “desconto no tanque”, que beneficia motores a combustão em detrimento do transporte público e da eletrificação veicular. O mecanismo é visto como um freio estrutural ao avanço da Energiewende.

A professora Gundula Hübner, da Universidade Martin-Luther de Halle-Wittenberg e da MSH Medical School Hamburg, destacou que a transição energética envolve também mudanças de comportamento social e engajamento dos cidadãos. Ela apontou que em regiões rurais muitos moradores instalam painéis solares e organizam cooperativas de energia limpa, enquanto nas cidades aumenta a preferência pelo transporte público.

Hübner defendeu que a alteração de mentalidade revela-se tão relevante quanto os avanços tecnológicos. O êxito da Energiewende depende da adesão ativa de toda a sociedade alemã, segundo a pesquisadora.

Muitas pessoas adaptam seus hábitos cotidianos para economizar energia e cortar emissões mesmo na ausência de novas leis específicas. Essa transformação cultural representa componente fundamental para o avanço do projeto climático do país.


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