Cientistas observaram pela primeira vez uma zona de subducção se desintegrando sob o fundo do oceano — descoberta que muda a compreensão sobre os processos que geram terremotos e moldam a evolução da Terra.
O fenômeno ocorre com a placa tectônica Juan de Fuca, que se fragmenta à medida que mergulha sob a América do Norte. O estudo foi publicado na revista Science Advances por pesquisadores da Columbia Climate School.
O geofísico Brandon Shuck, autor principal, comparou o início de uma zona de subducção a empurrar um trem montanha acima. Ele afirmou que, uma vez em movimento, o sistema se torna quase impossível de deter — e seu encerramento exige força igualmente poderosa.
Os dados provêm do Cascadia Seismic Imaging Experiment, realizado em 2021 no navio de pesquisa Marcus G. Langseth. A cientista Suzanne Carbotte, do Observatório Lamont-Doherty, liderou o esforço junto com a coautora Anne Bécel.
A equipe empregou ondas sísmicas refletidas para criar imagens do interior da crosta, como um ultrassom planetário. As varreduras identificaram fendas profundas na placa Juan de Fuca, com uma falha principal onde o material afundou cerca de cinco quilômetros.
Essa estrutura ainda não se separou por completo, mas aproxima-se do ponto crítico. Análises de atividade sísmica revelam que alguns segmentos da falha continuam ativos, enquanto outros permanecem em silêncio.
Carbotte explicou que os cientistas já conheciam a desaceleração da subducção ao encontrar partes mais leves da placa. A observação direta, no entanto, fornece uma visão inédita sobre o fim desses sistemas geológicos.
O trabalho também esclarece a origem de fragmentos da antiga placa Farallon encontrados perto da Baja California. Essas microplacas fósseis surgiram provavelmente pelo mesmo mecanismo de ruptura agora documentado na região de Cascadia.
Os autores examinam ainda os possíveis impactos dessas fraturas no risco de grandes terremotos no Noroeste do Pacífico. Permanece incerto se as quebras funcionam como barreiras ou se falhas maiores podem propagar-se através delas.
O projeto recebeu financiamento da National Science Foundation e avança a capacidade de mapear o interior da Terra. As conclusões indicam que zonas de subducção são estruturas dinâmicas em constante transformação ao longo de milhões de anos, conforme reportagem do Science Daily.
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