Pesquisadores do IRRI desenvolvem soluções para reduzir emissões de metano no cultivo de arroz

Equipamento de medição em campo de arroz para pesquisa sobre emissões de gases. (Foto: cleantechnica.com)

O cultivo de arroz alimenta bilhões de pessoas no mundo e é também uma das principais fontes agrícolas de metano, gás de efeito estufa de alta potência.

A decomposição de matéria orgânica em solos inundados e com baixo oxigênio favorece a liberação do gás. O arroz se torna assim um dos maiores emissores na agricultura global, com destaque para os países asiáticos onde o cereal é predominante.

Pesquisadores do Instituto Internacional de Pesquisa do Arroz (IRRI), sediado em Los Baños, nas Filipinas, lideram uma transformação no setor, segundo o portal CleanTechnica. O IRRI desenvolve tecnologias simples, escaláveis e de baixo custo que reduzem emissões ao mesmo tempo em que aumentam a produtividade das lavouras.

Uma das práticas mais promissoras é o sistema de irrigação alternada conhecido como AWD. Em vez de manter os campos permanentemente alagados, os agricultores permitem que o solo seque até certo ponto antes de reabastecer a água.

Esse método reduz o consumo de água em até 30% e diminui as emissões de metano sem comprometer a produtividade. O AWD ainda fortalece o sistema radicular das plantas e se mostra acessível para pequenos produtores.

O sistema não exige equipamentos caros nem treinamentos complexos, o que facilita sua adoção em larga escala. A combinação de simplicidade e alto impacto representa um avanço importante na agricultura de baixo carbono.

O IRRI também promove o plantio direto de arroz, que elimina a etapa de transplante e economiza água e mão de obra. Quando associado à mecanização, ao nivelamento preciso do solo e ao controle de ervas daninhas, o método moderniza completamente o cultivo tradicional.

O arroz aeróbico surge como alternativa para regiões com escassez hídrica, adaptando o plantio a condições não alagadas. Plataformas de agricultura digital com drones para semeadura e sensores remotos complementam essas inovações ao otimizar o manejo da irrigação.

A pecuária responde por cerca de 14% a 15% das emissões globais de gases de efeito estufa, enquanto o setor de transportes representa entre 20% e 25%. O cultivo de arroz contribui com aproximadamente 1,5% a 2% do total — percentual menor, porém concentrado em metano e de fácil mitigação.

O instituto criou o programa REMET para medir e validar as reduções de emissões obtidas. O sistema utiliza câmaras de medição, sensores de campo e cromatógrafos de alta precisão validados em laboratório.

O especialista em mudanças climáticas do IRRI Ando Radanielson destaca que o maior potencial reside na simplicidade das intervenções. Ajustes no manejo da água geram ganhos imediatos de eficiência e redução de emissões, segundo o pesquisador.

O impacto se multiplica quando as tecnologias de irrigação se combinam com mecanização e agricultura digital. Essa abordagem integrada já se expande para diversos países do Sudeste Asiático.

No Vietnã, o IRRI colabora com o Departamento Provincial de Tay Ninh para difundir modelos de baixo carbono alinhados às metas climáticas nacionais. Iniciativas semelhantes ganham força em toda a região da ASEAN.

O instituto atua ainda na segurança alimentar ao combater a síndrome do amarelamento do arroz nas Filipinas. Paralelamente, o IRRI participa de debates sobre o papel das mulheres na inovação agrícola, inclusive na Conferência Global sobre Mulheres em Sistemas Agroalimentares realizada em Nova Délhi.

O financiamento das pesquisas enfrenta incertezas após o desmonte da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) pelo governo Trump, rebaixada a um escritório subordinado ao Departamento de Estado. A Fundação Bill e Melinda Gates assumiu papel relevante no apoio a projetos de produtividade e sustentabilidade.

O IRRI mantém parcerias com universidades como Cornell e a Universidade da Califórnia em Davis, que contribuem com expertise em genética e ciência de dados. Mesmo diante dos desafios de financiamento, o instituto se consolida como referência global em inovação climática para a agricultura.


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