A doutoranda turca Rumeysa Ozturk decidiu retornar à Turquia após mais de um ano de disputa judicial contra o governo de Donald Trump.
Ela declarou que escolheu partir para não perder mais tempo com a violência e a hostilidade impostas pelo Estado americano. O caso simboliza a ofensiva contra estudantes que defendem a causa palestina, conforme detalhou o Al Jazeera.
Formada em estudos infantis e desenvolvimento humano, Ozturk foi detida em março de 2025. Agentes de imigração à paisana a cercaram quando ela deixava seu apartamento em Massachusetts para quebrar o jejum do Ramadã.
O vídeo da detenção foi amplamente compartilhado nas redes sociais. Seis oficiais apareciam cercando a estudante na rua, gerando críticas de defensores de direitos civis.
A pesquisadora não possuía antecedentes criminais de qualquer natureza. Ela apenas coassinara um artigo no jornal The Tufts Daily que pedia o reconhecimento do genocídio israelense contra os palestinos e o rompimento de relações com empresas ligadas a Israel.
O Departamento de Segurança Interna dos EUA a acusou de apoiar o Hamas sem apresentar evidências concretas. O governo Trump utilizou a Lei de Imigração e Nacionalidade de 1952 para justificar a revogação do visto.
A norma permite ao secretário de Estado retirar documentos de estrangeiros considerados prejudiciais à política externa americana. Juristas afirmam que a medida fere a Primeira Emenda da Constituição, que garante a liberdade de expressão.
Ozturk foi uma das primeiras vítimas da repressão a acadêmicos pró-Palestina, ação que seguiu a deportação do estudante Mahmoud Khalil, da Universidade Columbia. Trump havia prometido combater o antissemitismo nas universidades, equiparando o ativismo pela Palestina a manifestações de ódio.
Após a prisão, Ozturk foi transferida entre centros de detenção em New Hampshire, Vermont e Louisiana, onde passou 45 dias. Ela relatou à revista Vanity Fair superlotação, falta de atendimento médico, iluminação constante e crises de asma agravadas pelo calor e umidade.
Um tribunal federal de Vermont determinou sua libertação em maio de 2025. O processo de deportação continuou até um acordo que encerrou o caso e reconheceu sua permanência legal nos Estados Unidos.
Na declaração de despedida, a pesquisadora destacou o privilégio que os países têm ao acolher acadêmicos internacionais. Ela pretende dar continuidade à sua carreira na Turquia após 13 anos de formação.
Ozturk expressou solidariedade a outros estudiosos perseguidos pela mesma razão. A acadêmica afirmou: “Escolho retornar para continuar minha trajetória como mulher acadêmica sem perder mais tempo com a violência e a hostilidade que experimentei nos Estados Unidos.”
Com informações de Al Jazeera.
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