Professora brasileira pede legalização da morte assistida antes de morrer na Suíça

A professora brasileira Célia Maria Cassiano em diferentes momentos de sua vida. (Foto: actualidad.rt.com)

A professora brasileira Célia Maria Cassiano gravou uma mensagem comovente antes de se submeter à morte assistida na Suíça. Diagnosticada com atrofia muscular progressiva, ela via seu corpo deixar de responder aos comandos diários.

Formada em Ciências Sociais e mestre em Multimídia, a docente lecionava artes em Campinas, no interior de São Paulo. Célia Cassiano relatou em vídeos a sensação de estar presa em um corpo que gradualmente parava de funcionar.

A educadora planejou a viagem durante sete meses e disse sentir paz com a decisão final. Ela garantiu que duas enfermeiras estariam presentes e que não sentiria dor durante o procedimento.

Célia Cassiano agradeceu pelos últimos dias em Zurique e fez um apelo direto aos brasileiros. A professora defendeu que o país reconheça o direito de escolha consciente diante de doenças incuráveis.

A atrofia muscular progressiva a tornou dependente de cuidadores para tarefas básicas como se alimentar e tomar banho. Ela compartilhou nas redes sociais as limitações crescentes impostas pela doença degenerativa.

Ao notar alterações na voz, Célia Cassiano elaborou um documento com diretrizes antecipadas de vontade. A professora recusou qualquer procedimento invasivo que prolongasse sua vida de forma artificial.

A presidente da associação Eu Decido, Luciana Dadalto, foi procurada pela docente em busca de orientações sobre o tema. Dadalto afirmou que o caso revela a urgência de um debate ético e jurídico no país.

A especialista defendeu que o sofrimento de pacientes com doenças degenerativas deve ser tratado como questão de direitos humanos. Segundo Dadalto, obrigar doentes a viajar para o exterior expõe as limitações da legislação nacional vigente.

Na Suíça, a morte assistida ocorre com acompanhamento médico e comprovação da vontade consciente do paciente. O país europeu autoriza o procedimento para estrangeiros não residentes, o que atrai pessoas de várias nacionalidades.

No Brasil, tanto a eutanásia quanto o suicídio assistido permanecem tipificados como crimes pela legislação vigente. Isso gera situações em que pacientes terminais buscam soluções fora do território nacional.

O caso ganhou ampla repercussão nas redes sociais e gerou comoção entre milhares de pessoas. A mensagem final de Célia Cassiano reforça discussões sobre autonomia e dignidade no fim da vida.

Conforme reportagem do portal RT, a professora deixou um legado de reflexão sobre esses temas. Seu exemplo destaca as diferentes visões sobre o direito de decidir o próprio fim com dignidade.

Com informações de ACTUALIDAD.


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